Chávez celebra os 10 anos no poder pedindo sua reeleição ilimitada

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, celebrou neste sábado os 10 anos de sua primeira vitória nas urnas pedindo a seus simpatizantes que aprovem uma emenda que permita sua reeleição por tempo indeterminado.

AFP |

Ante milhares de partidários que se reuniram nos arredores do palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, Chávez afirmou que sua eleição em 1998 "abriu as portas de um novo tempo histórico".

"Aqui vai meu reconhecimento ao povo venezuelano, ao povo do Libertador Simón Bolívar, que tornou possível esta gestão histórica", exclamou o presidente.

Em seu discurso, Chávez anunciou que já formou o "primeiro núcleo do comando de campanha" para a reeleição presidencial ilimitada, que em sua seção jurídica será dirigida pela presidente da Assembléia Nacional, Cilia Flores.

"Acertamos ativar a emenda através da Assembléia Nacional. Devemos recolher assinaturas para apoiá-la. Vamos celebrar o Natal em campanha, na batalha", afirmou Chávez a seus seguidores.

A Assembléia Nacional está integrada quase totalmentepor deputados ligados ao presidente, depois que a oposição boicotou as eleições legislativas de 2005.

Populista, verborrágico e plenamente convencido de que sua revolução bolivariana está apenas dando os primeiros passos, Chávez, de 54 anos, comemora sua primeira década no poder totalmente concentrado na emenda constitucional para que possa se manter no ppoder.

Desde sua chegada à presidência, Chávez parece estar eternamente em campanha. As eleições no país se repetiram praticamente uma vez por ano desde 1998, e em cada uma delas ele centralizava mais o poder, fortalecendo-se.

Até dezembro de 2007, quando um projeto de reforma constitucional que também incluía a reeleição indefinida foi rejeitado em um referendo popular, sua primeira derrota eleitoral em nove anos.

Quase um ano depois, no dia 23 de novembro, o chavismo obteve uma vitória ambígua nas eleições regionais - seus candidatos venceram na maioria das regiões, mas a oposição ficou com a parte mais rica do país, responsável por 70% do PIB, incluindo a prefeitura da capital, Caracas.

Uma semana depois, Chávez anunciou o lançamento da emenda sobre a reeleição para 2009.

Dez anos depois da primeira vitória presidencial de Chávez nas urnas, seu partido governa a maioria dos estados e cidades, além de controlar uma Assembléia Nacional praticamente homogênea. Além disso, o presidente conta uma popularidade de 57%, segundo dados recentes da Datanálisis, e não há líder da oposição atualmente capaz de pesar para o outro lado.

Graças ao dinheiro obtido com as vastas reservas de petróleo do país, Chávez mantém desde 1998 seu sólido apoio junto às classes populares graças a abrangentes programas assistencialistas - enquanto ameaça aqueles que não o apoiarem com o corte de verbas federais, como o fez pouco antes das recentes eleições regionais.

A campanha para a emenda constitucional, batizada "Uh ah, Chávez no se va", já está nas ruas da Venezuela neste dezembro de 2008 e pretende conseguir o apoio das classes populares para triunfar, embora o mito de que os pobres votam em Chávez venha sendo motivo de dúvidas.

"Sou um soldado às ordens do povo, meu chefe se chama povo da Venezuela", garantiiu o presidente, consciente de que essa emenda é sua última oportunidade para continuar governando.

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