Chávez assina lista em defesa da emenda constitucional que garante a reeleição

Os que quiserem pátria, os que quiserem ser livres e os que quiserem felicidade venham comigo, pediu nesta quinta-feira o presidente Hugo Chávez, primeiro venezuelano a assinar um documento em defesa da aprovação de emenda constitucional que garante a reeleição presidencial por tempo ilimitado.

AFP |

Ao meio-dia, junto à estátua do Libertador Simón Bolívar e cercado de centenas de simpatizantes, Chávez deu início à coleta simbólica de assinaturas para validar a modificação do artigo 230 da Constituição de 1999.

"Estou aqui como qualquer outro cidadão para assinar. Coube a mim ser o primeiro e me sinto muito feliz, porque isso nunca aconteceu na Venezuela", declarou à AFP.

A Assembléia Nacional (Parlamento), dominada pelo partido oficial, ficará encarregada de aprovar a proposta de emenda e apresentá-la à autoridade eleitoral que, por sua vez, a submeterá a referendo, provavelmente em fevereiro ou março de 2009.

"Juridicamente, a iniciativa é da Assembléia Nacional, mas politicamente saiu da alma do povo, do ventre do povo", assegurou Chávez.

Se esta emenda for aprovada, o presidente, que chegou ao poder depois de ganhar as presidenciais de 1998 e foi reeleito em 2006, poderá apresentar novamente a candidatura às eleições de 2012. Atualmente, a Carta Magna limita os mandatos presidenciais a dois. "Estou pronto para governar estes quatro anos e outros seis", garantiu Chávez.

Minutos depois, centenas de venezuelanos em todas as praças Bolívar do país começaram a assinar a proposta, ao compasso de: "Uh, ah, Chávez no se va!".

AP

Chávez assina a carta em defesa da emenda constitucional


Surpreendidos pela visita inesperada de Chávez na histórica praça Bolívar, os participantes não pouparam demonstrações de carinho e júbilo. "Chávez te amamos", "Chávez para sempre", gritavam.

"Esta emenda é o começo do país que quero. É a mudança", afirma convencido Lichelli Ríos, um funcionário do governo.

"Vamos ganhar este referendo, a emenda vai passar. Quem votou em Chávez em 2006, voltará a fazê-lo agora", comentava a dona de casa Yamila López.

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) arrancou com força nesta nova campanha. Milhares de camisetas, bonés e cartazes distribuídos entre a população pedem a aprovação da emenda e asseguram que "Chávez fica".

Nos canais oficiais de rádio e televisão, a publicidade multiplica. "Eleger é seu direito", repetem os anúncios.

"Quem se perpetua no poder é o imperialismo. Tenho um plano para que alguém se perpetue no poder: é o povo venezuelano", acrescentou Chávez para a AFP, defendendo-se dos que o acusam de querer "eternizar-se" na presidência.

A oposição iniciou campanha paralela contra a emenda, recordando que a questão da reeleição presidencial por tempo ilimitado já foi apresentada aos cidadãos em 2007 num projeto de reforma constitucional mais ampla que foi rejeitado em referendo.

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