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Chavez anuncia programa Alô, Presidente com 4 dias de duração

Para comemorar os dez anos de seu programa dominical de rádio e TV Alô, Presidente, o venezuelano Hugo Chávez prometeu superar seu próprio recorde de transmissão ao vivo ao anunciar que o programa desta semana durará quatro dias.

BBC Brasil |


"Comecem a preparar-se, será um programa 'Alô, Presidente' com seus respectivos intervalos (...), por capítulos, como uma telenovela, haverá de tudo, canções, críticas", afirmou Chávez, entre risos, na segunda-feira à noite, pouco antes de embarcar para o Brasil.

O "Alô, Presidente" tem duração de entre seis e sete horas ininterruptas e é o programa de TV mais visto pelos venezuelanos, inclusive pelos opositores, de acordo com o governo.

Analistas consideram que, com o programa, Chávez inaugurou um estilo em que passou a governar por meio da televisão.

Polêmicas

É nesse programa que o presidente venezuelano lança e inaugura projetos de governo, destitui e nomeia ministros, critica a ineficiência de seu gabinete na aplicação de políticas públicas, prega o socialismo como modelo econômico a ser seguido, canta, conta histórias e, algumas vezes, é cobrado por um ou outro simpatizante, insatisfeito com a administração chavista.

Chávez chegou a dizer que conhece os momentos em que há pico de audiência e reserva para estes momentos os principais anúncios ou discursos.

Presidência da República

Os presidentes Chávez e Lula durante encontro na Bahia nesta terça

Marcado por polêmicas, o programa, que completou 330 edições, é filmado em diversos cenários, como fábricas, escolas e até uma fazenda desaprioriada. Também houve edições realizadas no exterior.

Em 2003, no auge de uma crise política na Venezuela, Chávez demitiu 18 mil funcionários da estatal petroleira PDVSA, ao vivo, com um apito na mão e um cartão vermelho, em resposta ao locaute que paralisou durante mais de dois meses a produção petrolífera, principal fonte de renda da Venezuela.

Diarreia

Nas histórias que conta no programa, o presidente venezuelano não deixa de lado situações embaraçosas, como a que viveu quando teve diarreia enquanto dirigia um trator durante a inauguração de uma obra, com transmissão ao vivo.

"Imaginem, eu com essas características fisiológicas, suando, em cadeia nacional. Só com o Chávez acontece essas coisas, meu Deus", disse o presidente, arrancando risos da plateia ao contar como driblou jornalistas, simpatizantes e, "quatro cachorros desses bulldogs", antes de chegar ao banheiro.

Já participaram do "Alô Presidente" cineastas, políticos, intelectuais e presidentes, como o líder cubano Fidel Castro, que Chávez diz ter superado seu recorde de oito horas de transmissão. "Fidel bateu o recorde no 'Alô, Presidente'. Além disso, foi o melhor apresentador, até cantou", disse Chávez.

O governo afirma que o programa é necessário para enfrentar a "guerra" dos meios de comunicação privados contra a "revolução bolivariana".

Para a ministra de Comunicação, Blanca Eekhout, com o "Alô", o governo "assume a responsabilidade de mostrar ao país as obras, mas também os problemas (...) os rostos de um povo que era escondido pelo grande aparelho da mídia dominante".

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