O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou, nesta quarta-feira, novas medidas comerciais contra a Colômbia, aumentando a pressão sobre o governo colombiano. Durante uma entrevista coletiva, Chávez disse que vai paralisar a importação de cerca de 10 mil carros vindos da Colômbia e anunciou ainda que irá banir uma empresa colombiana de energia de utilizar campos de petroleiros em território venezuelano.

Segundo o governo da Venezuela, as medidas representam um corte de cerca de US$ 7 bilhões no comércio entre os dois países - negociações que, segundo Chávez, serão substituídas por novos acordos com outros países como Brasil e Argentina.

"Vamos substituir todas essas importações. É nossa responsabilidade porque a qualquer momento os ianques podem dizer 'não enviem mais carne ao Chávez' ou 'não mandem mais leite aos venezuelanos'. São os ianques que mandarão por lá, não o Uribe, a Colômbia ou ninguém mais - os ianques", disse o presidente durante a coletiva.

Segundo o correspondente da BBC em Caracas Will Grant, apesar de anunciar as novas medidas, Chávez deu poucos detalhes sobre como a substituição de um dos principais parceiros comerciais da Venezuela funcionaria na prática.

Chávez já havia anunciado, na semana passada, a decisão de congelar as relações diplomáticas com a Colômbia e ordenou a saída do embaixador venezuelano em Bogotá.

'Chantagem'
Além de anunciar as novas medidas contra a Colômbia, Chávez, afirmou ainda durante a coletiva desta quarta-feira que as armas compradas pelo governo venezuelano que foram encontradas em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) teriam sido roubadas de um posto naval na Venezuela em 1995.

Na última semana, o governo da Colômbia anunciou que armamentos comprados pela Venezuela e produzidos na Suécia foram encontrados com a guerrilha, o que levantou suspeitas de eventuais ligações entre o governo Chávez e as Farc.

As acusações do governo colombiano causaram uma nova crise diplomática entre os dois países.

Chávez afirmou que as armas encontradas com as Farc - que incluíam lançadores de foguetes de fabricação sueca - foram compradas pela Venezuela na década de 1980 e roubadas em 1995 durante um ataque a uma base naval no Estado de Carabobo.

Chávez ainda acusou o governo colombiano de "fazer chantagem" com as acusações, classificadas pelo líder venezuelano como "uma jogada suja e traiçoeira" do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

'Guerra
O presidente venezuelano ainda alegou que a divulgação das informações sobre as armas faria parte de uma espécie de campanha para desviar a atenção do controvertido acordo entre Estados Unidos e Colômbia.

O acordo, ainda em fase de negociação, prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares no país sul-americano.

"Vocês acham que é por acaso que esta informação sai da Colômbia precisamente uns dias depois de nós termos começado a levantar a voz contra a instalação das bases ianques em território colombiano?".

Chávez também reiterou sua condenação à utilização das bases pelos americanos e disse que o acordo poderia ser o início de "uma guerra".

"Estamos preocupados com estas bases porque elas poderiam ser o início de uma guerra na América do Sul. Estamos falando dos ianques, a nação mais agressiva na história", disse.

O presidente venezuelano também anunciou que planeja comprar tanques de guerra russos para aumentar as defesas da Venezuela.

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