Chávez anuncia estatização de siderúrgicas

Poucos dias após a estatização de parte do setor de serviços petrolíferos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou, nesta quinta-feira, a nacionalização de cinco empresas do setor siderúrgico e da maior produtora de cerâmica do país. O setor deve ser nacionalizado, não há nada o que discutir, afirmou Chávez durante um ato público com trabalhadores metalúrgicos no Estado de Bolívar (sudeste do país), transmitido em cadeia nacional de rádio e TV.

BBC Brasil |

Com a decisão, as empresas Matesi, Comsigua, Venprecar, Orinoco Irons e Tubos Tavsa devem passar ao controle do Estado nos próximos dias, para serem incorporadas a um complexo industrial "socialista" que o governo pretende construir.

De acordo com representantes dos sindicatos dessas empresas, há pelo menos seis meses os salários dos funcionários estão atrasados e a produção praticamente paralisada, razão pela qual teriam pedido a intervenção do Estado.

"Estas empresas têm que estar sob controle dos operários (...) faz tempo que deveríamos ter feito. Isso é justiça social", disse Chávez.

Além das siderúrgicas, também será nacionalizada a fábrica de cerâmicas Carabobo, a maior empresa do ramo no país.

Estrangeiros

De acordo com os sindicatos venezuelanos, a Matesi pertence ao consórcio argentino-italiano Teching, que era também proprietário da Siderúrgica do Orinoco (Sidor), a maior indústria do ramo na região andina, nacionalizada no ano passado e pela qual o governo pagará US$1,97 bilhão.

Já as empresas Orinoco Irons e Venprecar pertencem a um consórcio do qual faz parte a empresa anglo-australiana BHP Billiton, uma das maiores mineradoras do mundo.

Setores estratégicos

Com essas nacionalizações, somadas à expropriação de 73 companhias prestadoras de serviços petrolíferos, no início do mês, o Estado venezuelano assume o controle de quase todos os setores da economia considerados estratégicos.

Desde 2007, foram nacionalizadas as companhias de telecomunicações e de eletricidade, a faixa petrolífera do rio Orinoco e três empresas de cimento.

Em maio do ano passado, o governo já havia decretado a nacionalização da siderúrgica Ternium-Sidor.

Na avaliação de Chávez, aumentar o papel do Estado sobre o setor produtivo do país, ao reverter as privatizações realizadas pelos governos anteriores, é um dos caminhos para consolidar o chamado "socialismo do século 21".

Nos próximos dias, poderá ser concretizada a estatização de uma das maiores instituições financeiras do país, o Banco da Venezuela, que pertence ao grupo espanhol Santander.

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