Chávez anuncia corte do orçamento para enfrentar crise

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou neste sábado que cortará o orçamento deste ano e aumentará o salário mínimo como partes de um grupo de medidas anticrise para tentar frear o impacto da recessão que trouxe como consequência a abrupta queda dos preços do petróleo, motor da economia do país. Entre as ações anunciadas está uma redução de 6,7% no orçamento de 2009.

BBC Brasil |

Para isso o governo terá de reformular o gasto com base no preço do barril de petróleo a US$40, calculado no ano passado com o preço a US$60 por barril.

Calculado previamente em 167 bilhões de bolívares (equivalente a US$77 bilhões), o orçamento será reduzido, após aprovação do Parlamento, a 156 bilhões ( US$72,55 bilhões), medida que pretende corrigir o déficit fiscal.

Reuters
Soldado venezuelano em porto em medida ordenada por Chávez
Com a recessão, os preços do petróleo despencaram, alcançando na última semana, depois de leve recuperação, uma média de US$45. Em julho, no auge da bonança petroleira, o barril chegou a ser cotado em US$137.

Em um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão durante reunião com o Conselho de Ministros, Chávez, que no início da crise afirmou que a economia venezuelana não seria atingida, admitiu que "de maneira indireta a crise nos está afetando com os preços do petróleo".

Quinto maior exportador de petróleo, a Venezuela depende fundamentalmente da produção do produto. Atualmente 94% das divisas que ingressam no país são de origem petroleira.

O presidente venezuelano também anunciou a redução da produção petroleira de 3,67 milhões de barris para 3,17 milhões por dia.

"Essas modestas medidas devem ser assumidas por todos (...) isso não afetará em nada o desenvolvimento social e econômico", afirmou Chávez.

O líder venezuelano disse que vai continuar privilegiando o desenvolvimento dos setores considerados estratégicos, como agricultura, infra-estrutura e produção industrial e garantiu que não desvalorizará o Bolívar, moeda nacional, congelado desde 2003 em 2,15 por dólar.

"(Essas são) medidas para enfrentar essa grande ameaça que se originou neste modelo econômico tão defendido pela burguesia crioula", disse, ao iniciar os anúncios.

Entre as medidas previstas na "fórmula estratégica anticrise" ainda está sendo cogitada a redução dos salários de todos os altos funcionários do governo e o corte de "gastos supérfluos", como publicidade e compra de carros em todas as instituições públicas do país.

Para tentar manter aquecida a economia interna, o governo aumentará em 20% o sálario mínimo atual de US$ 372, em duas fases de reajuste, com um incremento de 10% em maio e os outros 10% em setembro.

Para cumprir as metas orçamentárias, além do reajuste do orçamento, o governo aumentará o endividamento público de US$ 5,6 bilhões para US$16 bilhões, de acordo com o presidente.

Chávez também anunciou o aumento de 3% no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), uma espécie de CPMF aplicada a todo tipo de compra, que com o reajuste passará de 9% para 12%. No auge do boom petroleiro, Chávez baixou esse imposto de 16% para 9%.

O líder venezuelano disse que as medidas visam proteger os avanços conquistados por seu governo na última década.

"Essas medidas permitirão fortalecer nossa economia para continuar avançando na mesma direção, com crescimento econômico, revolução agrária, revolução industrial", afirmou o mandatário.

Chávez, que pretende consolidar um Estado socialista, voltou a afirmar que a crise é consequência da aplicação do modelo capitalista e neoliberal.

Ao avaliar o impacto social da crise nos Estados Unidos, Chávez voltou a convidar ao presidente americano à seguir o "caminho do socialismo".

"Cuidado Obama, se não se acende uma revolução social no seu país. Se precisar de assessoria, estamos às ordens", afirmou.

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