Chávez anuncia compra de foguetes russos de médio alcance

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na noite desta sexta-feira que em breve chegarão ao país foguinhos russos, em referência a mísseis com alcance de até 300 km.

AFP |

Falando em um ato público, Chávez disse que os mísseis russos de médio alcance, que "não falham", foram adquiridos para a "defesa e não para atacar ninguém".

"Firmamos uns acordos com a Rússia. Logo começarão a chegar uns foguetinhos. Você os coloca aqui e lança estes foguetinhos... E sabem quantos quilômetros alcançam?! Uns 300 quilômetros, e não falham", disse Chávez em um comício para celebrar sua recente viagem internacional.

Chávez não esclareceu se a compra foi realizada em sua última visita a Moscou, mas garantiu que os acordos militares assinados entre a Venezuela e outros países não têm a finalidade de "atacar ninguém".

"Estes são instrumentos de defesa, porque vamos defender o país de qualquer ameaça", disse para centenas de pessoas reunidas diante do Palácio de Miraflores, em Caracas.

Em julho passado, durante a visita do vice-premier russo Igor Sechin a Caracas, Venezuela e Rússia assinaram um acordo para "ampliar e dar maior planejamento" ao intercâmbio militar bilateral.

Chávez, que considera a Rússia um "aliado estratégico", confirmou recentemente a compra de tanques russos do tipo BMP3, MPR e T-72, destinados principalmente a proteger a fronteira com a Colômbia, país com o qual a Venezuela congelou suas relações, em julho passado.

Em agosto, Chávez qualificou de "declaração de guerra" o acordo entre Colômbia e Estados Unidos para a utilização de sete bases no território colombiano por tropas americanas.

"Estas sete bases 'ianques' são uma declaração de guerra contra a revolução bolivariana e assim o assumimos. Vamos nos preparar porque essa burguesia colombiana nos odeia e já não há possibilidade de retorno", advertiu Chávez em um discurso em Caracas, no dia 25 de agosto.

Entre 2005 e 2007, Chávez firmou acordos para a compra de armas russas totalizando 4,4 bilhões de dólares.

Neste período, a Rússia vendeu à Venezuela 24 caças Sukhoi-30, 50 helicópteros de combate e 100 mil fuzis de assalto Kalashnikov.

Chávez voltou de uma viagem que o levou à Líbia, Síria, Argélia, Irã, Turcomenistão, Bielo-Rússia, Rússia e Espanha.

"Esta viagem que concluí com tanto êxito é uma das melhores que fizemos em dez anos pelo mundo. A Venezuela é um dos países que tem maior presença neste planeta".

"Percorremos de novo o 'eixo do mal', mas o 'eixo do mal' não significa o Mal. Assim o batizou o império ianque, mas é realmente é um movimento de aliados livres", afirmou ainda, referindo-se à expressão usada pelo ex-presidente George W. Bush para designar países suspeitos de ter arde destruição em massa e apoiar o terrorismo.

Ao fazer referência aos ataques de 11 de setembro contra Nova York e Washington, Chávez condenou "todo terrorismo, venha de onde vier", mas colocou em dúvida a origem dos atentados.

"Ainda não está claro, e talvez nunca fique, a origem desses fatos dolorosos, que iniciou uma escalada de terrorismo no mundo, fazendo o governo dos Estados Unidos se colocar à cabeça do terrorismo mundial", concluiu.

Em uma entrevista publicada este sábado no jornal espanhol Público, Chávez expressou seu desejo que que seu colega americano Barack Obama explique a utilização de bases militares colombianas pelos Estados Unidos por ocasião da próxima reunião de cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

"Queremos, como pediu o Lula, que ele vá à cúpula da Unasul e nos explique o tema das bases", declarou Chávez

Chávez se referiu à sugestão que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez no final de agosto para que Barack Obama se reunisse com os países da América do Sul para discutir o uso das bases militares colombianas pelos Estados Unidos.

Na véspera, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ofereceu ao presidente Chávez a colaboração de Madri para o diálogo entre a Venezuela e a Colômbia, durante breve visita do chefe de Estado latino à capital espanhola.

"Zapatero reiterou a Chávez sua disponibilidade de colaborar em tudo que for solicitado da Espanha para o diálogo entre a Colômbia e a Venezuela", informou a presidência espanhola em um comunicado emitido após o encontro, do qual Chávez saiu sem fazer declarações à imprensa.

As relações entre os dois países latinos atravessam um momento tenso pela decisão de Bogotá permitir o uso de bases colombianas por parte de militares americanos, com o que Caracas não concorda.

gr/lr/cn

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