Chávez ameaça intervir na Bolívia em caso de golpe

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira que irá apoiar qualquer movimento armado na Bolívia caso a oposição do país derrube o presidente Evo Morales. O líder venezuelano, que tem Morales como um dos seus principais aliados na América do Sul, disse que interviria se qualquer governo aliado e eleito democraticamente fosse derrocado por grupos opositores que, em sua opinião, são apoiados pelos Estados Unidos.

BBC Brasil |


"Se a oligarquia e os pequenos ianques financiados e armados pelo império derrocam algum governo nosso, teríamos luz verde para iniciar qualquer operação deste tipo para restituir o governo ao povo", afirmou Chávez em cadeia nacional de rádio e TV.

A escalada de violência na Bolívia entrou em seu terceiro dia consecutivo e se estende a várias regiões dos departamentos (estados) separatistas.

As violentas manifestações realizadas pela oposição boliviana já provocaram pelo menos quatro mortes e deixaram dezenas de feridos somente nesta quinta-feira.

Na quarta-feira, a explosão de um gasoduto comprometeu as exportações e levaram o governo Morales a cortar pela metade o envio de gás ao Brasil.

"Dois Vietnãs"

Chávez, que denunciou nesta quinta-feira um novo golpe para tirá-lo do poder, parafraseou o líder revolucionário Ernesto Che Guevara e disse que criaria "um, dois Vietnãs" para defender os governos aliados, em referência direta à Bolívia e ao Paraguai.

"Se este for nosso caminho, se tivermos de criar um Vietnã, dois, três Vietnãs na América Latina, aqui estamos dispostos. Não permitiremos que retirem o futuro dos nossos filhos", afirmou.

Na semana passada o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, acusou o ex-presidente Nicanor Duarte Frutos e o ex-presidenciável e ex-general Lino Oviedo de planejarem "desestabilizar" seu governo, com uma tentativa de golpe.

Denúncia de golpe

O governo da Venezuela denunciou um plano de tentativa de golpe de Estado que estaria sendo elaborado por militares ativos e oficiais retirados das Forças Armadas venezuelanas contra Chávez.

Em um vídeo transmitido pelo canal oficial VTV foram transmitidas conversas telefônicas entre três generais nas quais estariam detalhando o plano de tomada do Palácio de Governo de Miraflores.

"Vamos tomar o Palácio de Miraflores, vamos tomar os canais de televisão. O objetivo tem que ser só um (...) o esforço tem que ser no Palácio de Miraflores porque essa é a unidade de combate", disse um dos militares na conversa telefônica transmitida pela VTV. A origem das gravações não foram divulgadas.

Na conversa telefônica, os militares discutem um ataque-surpresa a Chávez que poderia ocorrer na volta de uma viagem internacional do mandatário venezuelano.

"Uma possível operação quando o presidente (estiver) chegando de viagem. Uma das ações poderia ser voá-lo (explodir), capturá-lo com aviões no ar (...) ou seja, teríamos que organizá-lo bem", disse um dos militares.

Para a oposição a denúncia é uma tentativa do governo de criar uma "cortina de fumaça" frente aos problemas do país e de "manipular" os simpatizantes chavistas para as eleições regionais de novembro.

Chávez ordenou a Procuradoria Geral da República a investigar o suposto plano de golpe. Em cadeia nacional nesta quinta-feira, o presidente venezuelano disse que reagirá a uma tentativa de desestabilização de seu governo e convocou seus simpatizantes a se mobilizarem.

"Eu já não sou o Chávez de 2002 (...) convido a todos a preparar o contragolpe revolucionário que deve ser demolidor", disse.

Em 2002, o golpe organizado pela oposição empresarial apoiado pelos meios de comunicação fracassou. Chávez regressou ao poder em 48 horas.

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