Chávez ameaça cortar petróleo de países da União Européia que adotarem lei de imigração

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou, nesta quinta-feira, cortar o fornecimento de petróleo aos países europeus que decidirem aplicar a lei que prevê a expulsão de imigrantes ilegais, aprovada na quarta-feira pelo Parlamento Europeu.

Redação com agências internacionais |

"Ao menos o nosso petróleo não deve chegar a esses países europeus", disse Chávez em entrevista coletiva ao lado do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo.

Chávez advertiu que, se a União Européia (UE) devolver os imigrantes ilegais a seus países de origem, os latino-americanos também poderão adotar "o retorno dos investimentos europeus".

O presidente venezuelano disse esperar que "os governos europeus se pronunciem contra" a nova lei e, em seguida, questionou: "Se a diretiva for aplicada, para que mais cúpulas com a União Européia?"

"Aqui na Venezuela não fazem falta. Vamos revisar os investimentos que têm aqui (...) Levem tudo de volta", disse Chávez, que disse pretender revisar os investimentos dos países que adotarem a diretiva.

"Diretiva da vergonha"

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou uma campanha internacional, para a qual pedirá o apoio de países do continente americano e africanos, contra a lei de imigrantes ilegais.

"Peço aos presidentes da Europa e ao Parlamento Europeu que não cometam uma agressão contra a humanidade e a vida. O que estão fazendo é gravíssimo", disse Morales, em um encontro com correspondentes estrangeiros em La Paz.

Morales se mostrou convencido de que esta normativa, que qualificou como "a diretiva da vergonha", levará a conflitos na Europa e na América Latina.

Anunciou também que aproveitará as próximas cúpulas de chefes de Estado para organizar uma campanha internacional, com a qual buscará pressionar para reverter esta normativa.

"Vamos somar todos para fazer campanha", disse o líder boliviano, que felicitou as posições contrárias expressadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos chefes de Estado da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa.  

18 meses de detenção

Marcando uma primeira etapa para uma política comum de endurecimento da imigração, o Parlamento Europeu adotou na quarta-feira uma "normativa de repatriação" , que fixa regras da UE para a expulsão dos imigrantes irregulares.

A polêmica lei de expulsão de imigrantes clandestinos da UE estabelece um período de detenção de até 18 meses e uma proibição de cinco anos para voltar à Europa.

Este texto foi criticado por inúmeras ONGs, chamando-o de "diretriz da vergonha". A decisão gerou protestos fora da UE, principalmente em países da América Latina, que se propuseram a formar uma frente comum com os países africanos para combater essa política.

(*Com informações das agências EFE e AFP)


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