Caracas - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, numa radicalização de seu discurso a poucas semanas das eleições regionais, ameaçou colocar tanques nas ruas e prender adversários que não reconheçam eventuais derrotas.

As pesquisas mostram que candidatos governistas devem vencer a maioria das disputas para os governos dos Estados e prefeituras, mas o chavismo pode enfrentar derrotas em alguns Estados e municípios importantes.

"Se vocês permitirem que a oligarquia regresse ao governo, vou acabar tendo de pegar os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo", disse o presidente em comício na noite de sábado no Estado de Carabobo (noroeste).

Reuters/Jamil Bittar
Chávez ameaça oposição com tanques

"Pátria ou morte, é o lema!", bradou Chávez, depois de admitir que seu candidato não lidera as pesquisas neste Estado, um dos mais populosos do país petroleiro.

Chávez também ameaçou prender alguns políticos adversários por corrupção ou caso não respeitem os resultados da votação de 23 de novembro. O presidente ainda afirmou que vai reduzir os recursos para as regiões governadas por "anti-revolucionários".

"O atual governador mafioso e traidor não vai entregar o governo... Se for assim, (o governador) Ramón Martínez não só vai perder o governo, mas também vai terminar na prisão. Ele verá, vamos te impedir traidor asqueroso", afirmou no domingo o presidente, num evento no Estado de Sucre, no nordeste do país.

Chávez costuma usar esse tipo de "ameaças eleitorais" para polarizar a disputa e mobilizar seus seguidores no dia da votação, fator crucial em eleições regionais habitualmente marcadas por elevados índices de abstenção, segundo analistas.

Estas eleições são importantes para Chávez, já que do resultado das urnas dependerá sua margem de manobra para acelerar sua "revolução socialista", e também servirá como termômetro para a possibilidade de modificar a Constituição de modo a permitir um novo mandato para o presidente em 2013.

O chavismo ainda se ressente da derrota na reforma constitucional do ano passado, quando a população rejeitou por estreita margem a concessão de mais poderes ao presidente no país com 28 milhões de habitantes.

Por Enrique Andrés Pretel

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