Chávez admite que queda do petróleo pode afetar Venezuela

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mudou o tom e admitiu na quarta-feira que se o preço do petróleo continuar caindo, em conseqüência da crise financeira internacional, a economia venezuelana poderá ser afetada. Quase a metade do orçamento do governo vem do petróleo, assim como 92% das divisas que ingressam na Venezuela, quinto maior exportador petrolífero do mundo.

BBC Brasil |

"O preço do petróleo vem caindo como resultado da crise global. Este é um fator que, caso se prolongue, poderia nos afetar. Certamente iria nos afetar", disse Chávez durante um comício de seu partido, que enfrentará eleições regionais no dia 23.

Mudança de tom
Há algumas semanas, porém, o governo argumentava que a economia venezuelana estava "blindada" frente aos efeitos da queda do combustível.

"Caso o preço do petróleo caia ao nível de 2007, situado em US$ 64,7 por barril, ou ao de 2006, de US$ 55,21 por barril, a Venezuela não seria afetada, pelo contrário, seguiria crescendo", afirmou Chávez no final do mês de outubro.

As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Venezuela não são animadoras e prevêm para o próximo ano um crescimento econômico de apenas 2%, três vezes menor que o de 2008.

Nesta quarta-feira, a cotação do barril do petróleo atingiu US$ 56,16, o menor valor em 20 meses, ficando bem distante da bonança dos US$ 147 cotados no mês de julho.

A baixa é conseqüência da desaceleração da economia mundial e da redução dos níveis de consumo de energia no setor produtivo internacional.

Dificuldades em 2009
Apesar do governo venezuelano ter anunciado um programa de desenvolvimento austero para 2009, economistas avaliam que o Executivo poderá enfrentar dificuldades no próximo ano para sustentar o orçamento, calculado com base no preço do barril a US$ 60.

Para o economista Enzo Del Búfalo, o orçamento para 2009 "subestima o gasto e superestima os ingressos", o que, na sua opinião, poderá gerar uma crise fiscal no próximo ano.

"O governo terá um orçamento que não será suficiente para cobrir os gastos sociais e a alternativa que tem é endividar-se", afirmou Del Búfalo à BBC Brasil.

"Outra possibilidade é a desvalorização da moeda, assim o governo obteria mais bolívares para cobrir o déficit fiscal. Mas, ao fazer isso, ocasionará outras conseqüências negativas, como a inflação", acrescentou.

Nas últimas semanas o governo venezuelano, que mantêm um controle cambial desde 2003, tem reiterado que não pretende desvalorizar o Bolívar, cotado em US$ 2,15.

Para o economista Luis Vicente León, da consultoria Datanalisis, o governo poderia ser levado a cortar o gasto público.

"O governo terá que contrair significativamente o gasto público para equilibrar a balança", afirmou León à BBC Brasil.

"Isso afetará a quase todos os setores da economia, especialmente os setores da construção, telecomunicações e financeiro, principais beneficiados pelas grandes quantias de dinheiro que hoje circulam na economia", acrescentou.

O governo afirma que não cortará o gasto social e que poderá dispor das reservas internacionais do país, estimadas em US$ 40 bilhões, além de um fundo de reserva que poderia alcançar um total de até US$ 100 bilhões, para superar o período de crise.

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