María Luisa González Madri, 25 jul (EFE).- Os encontros de hoje do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com o rei Juan Carlos I da Espanha e com o chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, abriram uma nova etapa de cooperação nas relações bilaterais após meses de afastamento e tensão.

Não houve abraço para marcar o reencontro entre o rei espanhol e Chávez, mas sim um amistoso aperto de mãos com o qual os dois quiseram acabar com o episódio da última Cúpula Ibero-americana, quando o monarca repreendeu o líder venezuelano com a já célebre frase "¿Por qué no te callas?" (Por que não se cala?).

Chávez, que chegou com uma hora de atraso à reunião no Palácio de Marivent, a residência de verão da família real espanhola em Palma de Mallorca, recorreu a uma piada após ser recebido pelo rei espanhol e perguntar ao monarca: "Por que não vamos à praia?".

O rei respondeu com um presente simbólico e carregado de humor ao entregar uma camiseta com "¿Por qué no te callas?", como contou o próprio Chávez à imprensa em Madri, dizendo que reivindicou "ao amigo Juan Carlos de Borbón" que compartilhasse os direitos autorais da famosa frase.

O presidente venezuelano, que chamou de "muito prazerosa" a reunião de uma hora com o rei, convidou o monarca a visitar aq Venezuela no próximo ano.

Também disse que "está agendada" uma visita de Zapatero, faltando apenas marcar a data.

Após o encontro com o rei em Palma de Mallorca, Chávez se reuniu em Madri com o presidente do Governo espanhol, com quem almoçou e deu uma coletiva de imprensa.

Ambos ratificaram o desejo de relançar as relações bilaterais com projetos de cooperação concretos, nos quais o petróleo e a Repsol terão um papel de destaque.

Fontes do Executivo espanhol informaram à Agência Efe que Chávez e Zapatero acertaram a criação de um grupo de trabalho que articule a venda de dez mil barris diários de petróleo à Espanha a um preço de US$ 100 por barril em troca de tecnologia espanhola e investimentos.

Para isso, seria criado um fundo para o qual seria destinada a fatura da venda desses barris de petróleo e através do qual seriam financiados projetos na Venezuela.

Em coletiva de imprensa, Chávez falou da importância da participação da Repsol em projetos na Faixa do Orinoco, uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e onde seu país precisa de "bilhões em investimentos".

A empresa espanhola já começou a trabalhar com a Venezuela em um dos poços da Faixa e manifestou seu interesse em uma licitação de um segundo poço.

Segundo Chávez, a companhia petrolífera espanhola, junto à estatal venezuelana PDVSA, pode produzir "200 mil barris diários que poderiam ir diretamente para a Espanha".

O governante venezuelano, que ameaçou com represálias as empresas dos países da União Européia que aplicarem a recém aprovada diretiva de retorno dos imigrantes ilegais, evitou hoje de referir a eventuais medidas de resposta e se mostrou conciliador.

"Trazemos idéias para buscar fórmulas (...) não queremos chegar a nenhum tipo de confronto, mas sim buscar soluções", disse Chávez.

Como parte dessa busca propôs criar "uma mesa de negociações entre Europa, especialmente Espanha e Portugal" e os países latino-americanos.

A nova lei fixa um prazo máximo de 18 meses de retenção dos imigrantes em situação irregular enquanto é tramitada a sua repatriação, e que os que forem expulsos não poderão entrar de novo na UE em um período de cinco anos.

O Governo espanhol reiterou que a diretiva européia não altera a legislação espanhola sobre o assunto.

Chávez concluiu em Madri a viagem que teve escalas na Rússia, em Belarus e em Portugal, e retorna hoje a Caracas. EFE mlg/bm/rr

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