Os moradores de Nova York hostis às charretes do Central Park contam com a aprovação de uma proposta de lei utilizando o argumento da crueldade contra os animais para suprimir esta famosa atração turística da cidade.

Um debate público sobre esta proposta reuniu centenas de pessoas sexta-feira passada na prefeitura de Nova York.

Uma votação sobre o projeto não está na ordem do dia, e os especialistas o consideram fadado ao fracasso, uma vez que o prefeito da cidade, Michael Bloomberg, já se disse contrário à ideia. Entretanto, o tema divide os nova-iorquinos há anos.

Sexta-feira, defensores dos animais e partidários das charretes protagonizaram uma acalorada discussão diante da prefeitura.

"Parem de machucar esses pobres animais cansados", clamou Michael McGraw, da associação de defesa dos animais Peta, ao lado de outros militantes erguendo cartazes com fotos de cavalos e slogans do tipo: "Devolvam-me minha liberdade".

"Isso é absurdo, não faz o menor sentido", respondeu, furioso, Frank Rodden, que dirige uma charrete no Central Park há 22 anos.

"Essas pessoas não sabem do que estão falando. O contato mais próximo que têm com os cavalos é quando protestam contra nós", insurgiu-se o condutor.

Os turistas que pagam 40 dólares por uma hora de passeio de charrete no Central Park estão totalmente alheios à polêmica.

Os 150 a 200 cavalos que trotam no parque mais famoso de Nova York são regularmente examinados por uma equipe de inspetores, e a morte de um deles não passa despercebida. Três cavalos perderam a vida em diversos acidentes em 2006 e 2007, inspirando ao respeitado jornal New York Times o seguinte título: "Morte deselegante de um cavalo de charrete do Central Park".

Tony Avella, o vereador responsável pelo projeto de lei, denunciou sexta-feira uma "indústria que ganha dinheiro às custas dos animais" e considerou que "a idéia romântica de um passeio de charrete em Nova York já não pode mais ser justificada".

Os defensores dos animais afirmam que os cavalos do Central Park, muitas vezes procedentes da comunidade Amish, protestantes que vivem isolados do mundo moderno, ficam assustados na cidade e são obrigados a trabalhar mesmo com temperaturas extremas.

"Os cavalos têm vidas miseráveis. Queremos que eles vivam como cavalos, e não como máquinas", afirmou Edita Birnkrant, da associação Friends of Animals.

No entanto, segundo Rodden e seus colegas, os animais são bem alimentados e trabalham somente alguns meses por ano, sempre sob o controle das autoridades.

O padre franciscano Brian Jordan afirmou ter analisado todos os aspectos da questão e concluído que não há crueldade com estes animais.

"Se houvesse a mínima crueldade, não estaria aqui. Estaria lá, com eles", garantiu, referindo-se aos defensores dos animais.

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