Charles Taylor, o grande desestabilizador do oeste da África

Charles Taylor, que está sendo julgado em Haia, é um ex-chefe de guerra que se tornou presidente da Libéria, enfrentando as acusações de crimes contra a humanidade por ter instigado conflitos sangrentos em parte da África Ocidental.

AFP |

Charles Ghankay Dahkpannah Taylor nasceu em 1948 num subúrbio rico de Monrovia, de pai negro americano e de mãe liberiana.

Formado em economia no Bentley College, de Massachusetts, ele entrou em 1979 na função pública liberiana onde foi rapidamente chamado de "super bonder" por sua propensão a desviar grandes quantias do dinheiro que passava por suas mãos.

Acusado pelo presidente Samuel Doe, em 1983, de ter desviado 900 mil dólares, ele se refugiou nos Estados Unidos, onde foi detido antes de escapar e fugir para a Costa do Marfim. Criou vínculos com a Líbia - onde ele e seus fiéis passaram por campos de treinamento - e com o presidente do Burkina-Faso Blaise Compaoré.

Seis anos depois, na noite de Natal de 1989, ele iniciou, com um grupo reduzido de combatentes, uma das mais atrozes guerras civis do continente africano.

Doe foi torturado até a morte em setembro de 1990 pelos homens de Taylor. Pelo menos sete facções rivais se enfrentaram durante o conflito. A NPFL de Taylor era uma das mais temidas. Seus combatentes, muitas vezes drogados, foram acusados dos massacres mais cruéis, além de mutilações, estupro e canibalismo.

Taylor generalizou o recrutamento à força de crianças-soldados, muitas vezes obrigadas a cometer atrocidades em suas aldeias de origem.

Em 1997, depois de um acordo assinado sob o patrocínio da comunidade internacional, os liberianos o elegeram à presidência. Principal chefe de guerra do país, ele se apresentou como o único capaz de acabar com o terror. O slogan de seus partidários era o seguinte: "Matei seu pai, matei sua mãe, vote em mim!".

Em 1999, os problemas começaram para Taylor, com o início da rebelião dos Liberianos Unidos pela Reconciliação e a Democracia (LURD).

Apoiado por vários países vizinhos e extra-oficialmente pelos Estados Unidos, o LURD avançou na direção de Monrovia. A guerra acabou depois de três meses de cerco da capital, de junho a agosto de 2003.

Taylor deixou o país em 11 de agosto de 2003, para um exílio dourado na Nigéria, pondo um fim a 14 anos de conflitos que deixaram cerca de 300 mil mortos.

Exportação da guerra

Ele também é acusado de ter desestabilizado toda a região. Antes mesmo de sua chegada ao poder, um de seus tenentes, Foday Sankoh, havia exportado a guerra à Serra Leoa em março de 1991 com a Frente Revolucionária Unida (FRU).

Foi o início de outro conflito, que duraria uma década (1991-2001) e deixaria 120 mil mortos. Taylor é acusado pela ONU de ter alimentado esse conflito através do tráfico de armas e de diamantes com os rebeldes.

Em meados de 2003, ele foi indiciado por crimes de guerra e crimes contra a humanidade pelo Tribunal Especial das Nações Unidas para a Serra Leoa. Em novembro daquele ano, foi lançada uma ordem de captura internacional.

Taylor, que se comparou a Jesus e à "ovelha do sacrifício" antes de viajar à Nigéria, vivia em uma luxuosa mansão em Calabar (sul da Nigéria), de onde se suspeita de que ele tenha continuado a instigar manobras desestabilizadoras.

Quando soube que o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, havia concordado em entregá-lo, tentou fugir a bordo de um jipe 4x4 com placas diplomáticas. Depois de ter percorrido mais de 800 km com um motorista e um guarda-costas, foi detido no posto fronteiriço de Gamboringala, no nordeste do país, ao tentar entrar na República dos Camarões.

Algumas horas depois, foi colocado num avião com destino a Monrovia, detido pelas forças de segurança da ONU e transferido a Freetown para ser julgado.

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