Chances de resgate de mais corpos do Airbus são remotas, diz Brasil

Rio de Janeiro, 11 jun (EFE).- As autoridades brasileiras admitiram hoje que será quase impossível recolher os corpos de todas as vítimas do voo 447 da Air France, que há 11 dias caiu em águas brasileiras com 228 pessoas a bordo.

EFE |

O tenente-brigadeiro Ramon Cardoso, chefe do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da FAB, disse que resgatar os 228 corpos é "uma hipótese muito remota".

Como havia sido combinado pelas autoridades do Brasil e da França, a cargo das operações de busca, os parentes e amigos das vítimas foram os primeiros a saber das poucas ou nulas chances de mais corpos serem encontrados.

"Os familiares das vítimas foram informados que nem todos vão receber os corpos das pessoas que estavam a bordo do avião", disse Cardoso numa entrevista coletiva em Recife, onde fica um dos postos de comando dos trabalhos de busca.

Até esta quinta-feira, os corpos de 41 pessoas foram recolhidos do mar e levados para o continente. No momento, as autoridades trabalham na identificação dos cadáveres. Mas, segundo fontes oficiais, a tarefa será lenta e complicada, devido ao estado em que muitos corpos se encontram.

Cardoso também disse que navios franceses que participam das buscas fizeram contato visual com outros corpos. Porém, não soube dizer quantos foram avistados nem se existem chances reais de recolhê-los.

As embarcações e aeronaves da França que trabalham na operação estão concentradas em águas senegalesas. Acredita-se que as correntes marítimas levaram para esta região muitos dos cadáveres e parte dos destroços do Airbus.

As equipes de resgate brasileiras, por sua vez, não encontraram nada nas buscas realizadas entre quarta e quinta-feira. E hoje, segundo o brigadeiro Cardoso, a procura por mais corpos foi dificultada pelas "condições meteorológicas adversas" na área patrulhada.

O alto oficial também confirmou que, agora, a ideia da FAB e da Marinha do Brasil é seguir com as buscas até o próximo dia 19. No entanto, dois dias antes, haverá uma avaliação das operações, que poderão ser prorrogadas até 25 de junho se existirem chances concretas de recolhimento de mais corpos ou de partes do Airbus.

Em Paris, os responsáveis pelas investigações pediram "cautela" e reiteraram que, como as caixas-pretas do avião não foram achadas, quase não há elementos para análise. Apesar do apelo, cresceram na França as suspeitas de possíveis erros nos sensores de velocidade do Airbus.

As chances de as equipes encontrarem as caixas-pretas, que podem ser fundamentais para determinar o que aconteceu com a aeronave antes de sua queda, estão relacionadas à capacidade do submarino nuclear francês "Émeraude", que desde quarta-feira vasculha a área em que o avião caiu.

Nessa região, segundo as autoridades brasileiras, a profundidade média do mar é de 3 mil metros, mas podem chegar a 5 mil.

As buscas pelos corpos e os destroços do Airbus se concentram num ponto a 1,5 mil quilômetros da costa brasileira. Porém, na quarta-feira, os trabalhos se expandiram até as águas do Senegal.

EFE ed/sc

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