Chances de encontrar sobreviventes começam a diminuir na China

SÃO PAULO - Em meio ao aumento assustador no número de vítimas fatais do terremoto que abalou a China, casos milagrosos de sobrevivência trazem esperança às equipes de resgate. Já tendo passado mais de 72 horas desde o terremoto, as chances de encontrar sobreviventes começam a diminuir, e as autoridades consideram esses casos milagres, segundo a agência de notícias estatal Xinhua. As autoridades estimam que o número de mortos pode chegar a 50 mil, além de pelo menos 20 mil soterrados.

Redação com agências internacionais |

Uma menina de 11 anos foi retirada nesta quinta-feira dos escombros de uma escola que desabou na vila Yingxiu, as equipes de resgate a retiraram dos escombros, depois de passar 60 horas soterrada.

Yingxiu foi uma das área mais atingidas, onde estima-se que apenas um quarto da população tenha sobrevivido.

Milagre em escola

Em Qingchuan, uma estudante da sétima série foi resgatada com vida dos escombros depois de ter ficado soterrada mais de 50 horas.

He Cuiqing foi salva por uma enfermeira que a ouviu chamando por socorro.

"Ela estava muito frágil, e havia marcas de sangue no peito dela, mas ela continuava consciente e me chamou de tia quando consegui chegar até ela", contou a enfermeira Wang Guangfen.

Pelo menos 270 colegas de He não tiveram a mesma sorte e acabaram morrendo soterrados, informou a Xinhua.

Cerca de 400 dos 857 alunos tiravam uma soneca, após o almoço, no dormitório da escola primária, quando o terremoto ocorreu. Apenas 139 conseguiram escapar. Outras dezenas ainda estão soterradas.

Medo e destruição

"O número de mortos é calculados em 50.000", informou a televisão estatal, que menciona os últimos dados divulgados publicados pelo Centro Nacional de Resgate do governo.

O balanço anterior, divulgado nesta quinta-feira, registrava mais de 19,5 mil mortos na província e cerca de 27 mil soterrados nos escombros.

As autoridades provinciais conseguiram convencer nesta quinta-feira cerca de 10 mil sobreviventes do terremoto para que não saiam da zona, após o rumor de que as fontes que fornecem a água de Chengdu, capital provincial, ficaram contaminadas após o terremoto.

Getty Images
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Chineses procuram por mais vítimas sob os escombros


Os relatos de destruição, no entanto, estão por todos os lados. Em outra cidade próxima ao epicentro, Mianzhu, pelo menos 4,8 mil pessoas estariam soterradas e vários deslizamentos de terras impedem o acesso ao local, segundo a Xinhua.

Em Dujiangyan, onde 900 estudantes foram soterrados pelos escombros da escola onde estavam no momento do terremoto e pelo menos 50 morreram, o correspondente da BBC, Michael Bristow, afirma que o cenário é de "caos organizado". Segundo Bristow, sobreviventes ainda atônitos perambulam pelas ruas vestindo pijamas, enquanto a polícia tenta organizar o trânsito.

De acordo com o correspondente da BBC, diversos tremores secundários foram registrados após o terremoto, e as pessoas ainda estão com medo de voltar para suas casas.

Bristow afirma que muitos estão preparados para passar uma segunda noite ao relento, sob a forte chuva que cai na região.

No condado de Beichuan, 80% dos prédios foram destruídos.

Em Shifang, duas fábricas de químicos desmoronaram e mais de 2 mil pessoas ficaram presas nos escombros. Cerca de 80 toneladas de material corrosivo vazaram, 6 mil pessoas tiveram de ser evacuadas e, segundo a Xinhua, 600 pessoas morreram.

No centro de pesquisas e reprodução de ursos panda de Wolong, em Wechuan, ainda não há relatos sobre o estado dos funcionários e dos turistas que estavam no local no momento do terremoto.

Também foram registradas mortes fora da província de Sichuan. A agência de notícias chinesa afirma que pelo menos 300 pessoas morreram em Gansu, Shaanxi e Chongqing.

Frente à situação na região, a China está enviando ainda mais tropas adicionais de 30 mil homens nesta quinta-feira para atuar na região do epicentro, que levarão comida, água e equipamentos.

O novo reforço se soma a dezenas de milhares de soldados que já se encontram na região do epicentro do tremor e lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e prover assistência a milhares de desabrigados.

De acordo com a coordenadora do Departamento de Sismologia chinês, Liu Yuchen, 82 pessoas foram resgatadas com vida na quarta-feira, entre elas uma grávida.

Reuters
Vítima de terremoto é socorrida
Cerca de 600 homens vasculham o local, e até o momento 84 alunos foram retirados dos destroços.

Ajuda

O governo chinês anunciou nesta quinta-feira que equipes japonesas especialistas em resgate serão enviadas ao país para ajudar a encontrar sobreviventes.

Agências de ajuda de Taiwan também estão enviando dois aviões carregados com mantimentos e equipamentos para resgate, além de voluntários.

Cerca de 150 toneladas de suprimentos - incluindo barracas, sacos de dormir e cobertores serão transportados nos dois primeiros aviões taiwaneses, doados por instituições de caridade e grupos religiosos.

Na quarta-feira, as autoridades chinesas estimaram que a situação no epicentro do terremoto seria "pior do que o esperado".

Dos 12 mil habitantes de Yingxiu, uma das cidades mais atingidas pelo abalo, apenas 3 mil sobreviveram.

Estradas obstruídas

Equipes especializadas continuam com os trabalhos de desobstrução e reparo das estradas bloqueadas por deslizamentos de terra.

Os arredores de Wenchuan são montanhosos, sendo difícil acessar os locais mais remotos.

Apesar de o Exército possuir homens e máquinas suficientes, o trabalho progride lentamente.

"Só é possível que uma máquina escavadeira trabalhe a cada vez", explicou Feng Zhenglin, oficial do ministério de Transportes.

A prioridade das equipes está concentrada em um raio de 50 quilômetros ao redor de Wenchuang.

(*Com informações da AFP, BBC Brasil e CNN)

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