Chanceleres ocidentais e árabes chegaram nesta quinta-feira a um texto de resolução pedindo um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, e decidiram apresentá-lo para votação no Conselho de Segurança, confirmou um diplomata palestino.

"Há um acordo aceitando a emenda dos árabes", disse Ryad Mansour, observador palestino junto à ONU.

Mansour se referia a um projeto de resolução redigido pela Grã-Bretanha, ao qual os árabes propuseram mudanças.

Segundo diplomatas, a versão modificada do texto "destaca a necessidade de um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza".

Uma reunião do Conselho de Segurança teve início às 17H00 GMT (20H00 Brasília) para analisar o documento.

O texto "enfatiza a urgência de um cessar-fogo imediato, duradouro e totalmente respeitado, que leve à retirada completa das forças israelenses de Gaza", e pede "uma distribuição e provisão da ajuda humanitária sem barreiras, incluindo comida, combustível e tratamento médico".

O documento felicita "as iniciativas dirigidas a criar corredores humanitários e outros mecanismos para a entrega da ajuda humanitária" e pede aos Estados membros da ONU apoio aos "esforços internacionais para aliviar a situação humanitária e econômica em Gaza".

O texto "condena toda violência e hostilidade contra civis e todos os atos de terrorismo" e solicita aos Estados membros "que intensifiquem os esforços" visando um "cessar-fogo duradouro e o retorno à calma a Gaza, que inclua a repressão ao contrabando de armas e munição e garanta a abertura dos pontos de passagem".

O documento "apela a renovados e urgentes esforços das partes e da comunidade internacional para se obter uma paz baseada na visão de uma região onde dois estados democráticos, Israel e Palestina, convivam em paz, com fronteiras seguras e reconhecidas".

Os ministros realizaram intensas negociações, desde a manhã, para adaptar o texto britânico, apoiado por Estados Unidos e França, a certas exigências dos países árabes.

Os árabes insistiam na necessidade de que a resolução (vinculante por definição) do Conselho de Segurança exigisse um cessar-fogo imediato. A princípio, o texto ocidental se limitava a "destacar a urgência de uma trégua".

A proposta original britânica saiu de uma reunião entre a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, o chanceler britânico David Miliband, e seu colega francês, Bernard Kouchner.

A ofensiva militar israelense contra a Faixa de Gaza, iniciada há 13 dias, já matou mais de 760 palestinos, a maioria civis, e dez militares israelenses.

hc/LR

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