Chanceleres destacam necessidade de desarmamento nuclear norte-coreano

Miguel F. Rovira Cingapura, 23 jul (EFE).

EFE |

- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e os chanceleres das duas Coréias, China, Rússia e Japão apostaram hoje em acelerar o processo para o desarmamento nuclear norte-coreano, na primeira reunião conjunta informal em cinco anos de negociação multilateral.

"Esta é realmente a primeira reunião informal das conversas de seis lados", disse o ministro de Assuntos Exteriores chinês, Yang Jiechi, no início do encontro realizado em Cingapura.

Em seu discurso, Yang destacou que as seis partes superaram enormes dificuldades para chegar à "terceira fase" e disse que agora é preciso avançar em direção à realização, nos próximos meses, de uma reunião ministerial formal.

Os ministros se reuniram um dia antes de o Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), no qual tratarão de assuntos de segurança, realizar sua reunião anual.

"Isto demonstra que as seis partes têm vontade política de que o processo de negociações avance", acrescentou Yang.

Já Rice destacou, ao término do encontro, que "foi uma boa reunião sem surpresas (...) em essência, todos confirmaram a necessidade de agir com rapidez para finalizar as obrigações da fase dois".

A reunião em Cingapura acontece depois de o regime de Pyongyang entregar em junho a lista de programas nucleares que as outras cinco partes pediam há muito tempo, o que abriu o caminho para novas negociações entre as delegações.

"A Coréia do Norte disse durante o encontro que os países pertinentes devem desenvolver o acordo para completar a segunda fase, atingida pelos chefes das delegações na reunião de Pequim", disse Ri Dong Il, porta-voz da representaçã norte-coreana.

A citada reunião de Pequim aconteceu de 10 a 12 de julho e permitiu finalizar a criação de um mecanismo de verificação do arsenal da Coréia do Norte.

Pouco antes do início da reunião multilateral em Cingapura, o porta-voz norte-coreano reiterou em declarações aos jornalistas que Washington deve abandonar sua "política hostil" e disse que a atitude dos EUA de retirar a Coréia do Norte da lista de países que patrocinam o terrorismo em agosto de 2007 não é suficiente.

"Os EUA fizeram uma ação, mas é incompleta. O mais importante é suspender as sanções", disse o porta-voz norte-coreano.

Segundo uma proposta dos EUA, um grupo de analistas deverá visitar as instalações nucleares norte-coreanas, analisar os documentos e entrevistar os engenheiros nucleares do regime de Pyongyang a fim de verificar a lista.

A Coréia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear em 9 de outubro de 2006, desencadeando uma crise internacional que levou a ONU a aplicar sanções contra o regime norte-coreano.

Um ano depois, os países que participam das negociações multilaterais conseguiram um acordo de três fases para desmantelar o programa nuclear.

O acordo incluía a entrega de uma lista no final de 2007, atrasada até junho deste ano, em troca da qual Washington deveria retirar a Coréia do Norte do chamado Eixo do Mal e suspender as sanções econômicas impostas unilateralmente.

A relação apresentada incluía as instalações nucleares de plutônio da Coréia do Norte, mas não o armamento produzido.

Como sinal de boa vontade, Pyongyang chegou a destruir a torre de esfriamento de Yongbyon, onde se acredita que o material para o primeiro teste nuclear norte-coreano tenha sido sintetizado.

O diálogo multilateral começou em 2003, quando Washington acusou Pyongyang de desenvolver um programa de enriquecimento de urânio que transgredia os acordos bilaterais. EFE mfr/wr/rr

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