TEGUCIGALPA - Uma comissão de chanceleres de países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) terminou, nesta terça-feira, uma visita de dois dias a Honduras, sem conseguir um acordo com o governo de fato de Roberto Micheletti para conseguir o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país. O fim dessa tentativa de diálogo acontece após os EUA anunciarem a suspensão da emissão de vistos para os hondurenhos como medida de pressão para apoiar a missão da OEA, e com a declaração de Micheletti, de que haverá eleições em Honduras, em 29 de novembro.

EFE

Micheletti (esquerda) cumprimenta o secretário-geral
da OEA, José Miguel Insulza, em Tegucigalpa

A missão da OEA chegou à capital, Tegucigalpa, na segunda-feira para tentar solucionar a crise hondurenha que se arrasta desde 28 de junho. Para apoiá-la, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a decisão de suspender os serviços de concessão de vistos no país. O porta-voz do Departamento, Ian Kelly, explicou que a decisão foi tomada "em consequência da resistência do regime de fato de Honduras em firmar o Acordo de San José" e "em apoio à missão" de chanceleres da OEA.

Kelly anunciou que, a partir desta quarta-feira, estarão suspensos os vistos que não estejam relacionados com emergências ou processos migratórios. Em julho, os EUA já haviam suspendido os vistos diplomáticos de quatro autoridades de Honduras ligadas ao governo do presidente interino do país, Roberto Micheletti.

Acordo de San José

A decisão, segundo Kelly, é uma medida de pressão para convencer o governo interino liderado por Roberto Micheletti a negociar o acordo de San José mediado pelo presidente costarriquenho, Oscar Arias.

Segundo o porta-voz, o governo dos Estados Unidos "acredita firmemente que uma solução negociada é o caminho apropriado e que o acordo de San José é a melhor solução".

Entre outros pontos, o acordo prevê o retorno de Zelaya à presidência, a antecipação das eleições gerais agendadas para novembro e o abandono da proposta de consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte - medida que foi utilizada como argumento pela oposição para depor Zelaya.

Eleições

Enquanto Washington anunciava as novas medidas sobre os vistos, o líder do governo interino, Roberto Micheletti, disse, em reunião com os chanceleres da OEA que "haverá eleições" no dia 29 de novembro, independente do reconhecimento da comunidade internacional.

"Eu peço a Deus que (as eleições) sejam massivas, estamos incitando a população para que todo mundo saia para votar, para garantir que neste país queremos viver em democracia", afirmou Micheletti, durante a reunião realizada na casa presidencial.

Micheletti disse não ter medo do embargo dos demais países.

"Já analisamos com toda tranquilidade, com toda firmeza que esse país pode sair adiante sem o apoio de vocês e de outros países", acrescentou.

Recusa

Tanto a OEA como outros países da região advertiram que não legitimarão as eleições que não sejam realizadas com Zelaya à frente da presidência.

De acordo com o dirigente da Frente Nacional de Resistência, Rafael Alegria, que protesta contra o governo interino, caso a missão da OEA fracasse, a crise política no país pode se agravar.

"A tendência é que aumente a confrontação política, coisa que não desejamos. Nosso movimento é pacífico, mas estamos determinados a continuar lutando pelo retorno da democracia em Honduras", disse Alegria à BBC Brasil.

Alegria adiantou, na segunda-feira, ter alertado à OEA sobre um prazo, estipulado até esta sexta-feira, para que um acordo seja estabelecido, caso contrário, a Frente de Resistência convocará um "boicote" às eleições.

(Com informações da AFP, EFE e BBC)

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