Javier Otazu. Lima, 19 ago (EFE).- Os ministros das Relações Exteriores dos países da Comunidade Andina (CAN) - Peru, Equador, Bolívia e Colômbia - se reuniram hoje em Lima para estudar a nova visão estratégica do organismo, mas não conseguiram contornar as diferenças bilaterais entre seus membros.

Peru e Bolívia, por um lado, e Equador e Colômbia, por outro, mantêm nos últimos meses grandes divergências sobre diversos temas.

Os chanceleres dos dois primeiros sequer falaram sobre suas divergências durante o dia de hoje, enquanto Equador e Colômbia realizaram uma breve reunião que não rendeu frutos.

Os quatro ministros e suas equipes se reuniram durante mais de duas horas nas dependências do Ministério das Relações Exteriores peruano, em um encontro que foi considerado "muito positivo" pelo chanceler boliviano, David Choquehuanca.

Segundo um dos participantes da reunião, o Peru apresentou seu plano de trabalho na CAN para os próximos 12 meses, centrado em temas como o combate à mudança climática, a segurança alimentar, o desenvolvimento social e as migrações.

Além disso, a reunião serviu para avançar em projetos já iniciados anteriormente, como a adoção de um instrumento regional de cooperação judicial, um convênio entre a União Europeia (UE) e a CAN para um programa antidrogas e a criação de um conselho andino de Altas Autoridades da Mulher.

O ministro das Relações Exteriores peruano, José Antonio García Belaúnde, explicou que seu país também expôs um plano para superar um dos principais empecilhos da CAN, o processo de tomada de decisões internas, pois a Bolívia sustenta que isso deve ocorrer unicamente por consenso, e não por maioria.

Este projeto peruano, que segundo García Belaúnde foi recebido com interesse por seus pares andinos, sugere que as decisões devem ser tomadas no possível por consenso. Se um país tiver uma posição diferente da dos demais, o caso específico será analisado para verificar a possibilidade de tal nação mudar de postura.

À margem dos temas puramente regionais, a reunião não serviu para diminuir as profundas divergências que afastam seus membros.

Choquehuanca não aproveitou sua presença em Lima para combater os "fantasmas" que, segundo ele, há entre Bolívia e Peru, e deixou claro que tinha ido até Lima com o único objetivo de comparecer à reunião da CAN e ir embora imediatamente.

Recentemente, o presidente boliviano, Evo Morales, declarou que foi detectada a presença de "mercenários peruanos" que trabalham para grupos desestabilizadores na Bolívia, palavras que causaram mal-estar em Lima.

Choquehuanca não quis comentar essas acusações e se limitou a reconhecer que "há informações que só as altas autoridades têm", mas que em todo caso corresponde a ambos os países "trabalhar seriamente".

Já os ministros das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconí, e da Colômbia, Jaime Bermúdez, aproveitaram a visita a Lima para uma reunião privada de apenas 15 minutos, tida por ambos como uma mera "busca de mecanismos para começar um processo de diálogo".

Na saída do encontro, pressionados pelos fotógrafos, Bermúdez e Falconí tiveram que fazer um evidente esforço para apertar as mãos.

Não é de se estranhar que, perguntado pelos resultados desta busca de mecanismos de aproximação, o equatoriano reconhecesse a falta de resultados concretos.

Os dois países romperam suas relações diplomáticas em março de 2008 após o bombardeio pelo Exército colombiano contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) situado em território equatoriano. O ataque matou o "número dois" da guerrilha, "Raúl Reyes", e outras 25 pessoas Ontem, Falconí sugeriu que seu país e Colômbia poderiam recorrer à mediação de alguma instância internacional para construir um diálogo bilateral, mas deveriam estabelecer previamente um diálogo entre os chanceleres. O diálogo aconteceu hoje, mas aparentemente ainda há muito que conversar. EFE fjo/bba

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