Chanceler venezuelano propõe novos mecanismos de troca econômica contra crise

Esther Borrell. Caracas, 22 out (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs reinventar os mecanismos de troca econômica para enfrentar a crise financeira mundial, uma das questões que serão discutidas no final deste mês durante a Cúpula Ibero-americana de El Salvador.

EFE |

É necessário "construir mecanismos próprios de investimentos conjuntos" para "ir contra este mundo imposto a nós, que nos tornou dependentes de uma moeda, o dólar, do sistema financeiro do Norte e de um mercado, os Estados Unidos", disse o chanceler venezuelano em entrevista à Agência Efe.

"Achamos que é possível conviver com eles, mas não depender deles", comentou, antes de acrescentar que "o capitalismo está esgotado" e que "o futuro deve apontar novos mecanismos".

Maduro participará da cúpula de El Salvador, evento no qual o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não confirmou sua presença. O ministro evitou comentar sobre se Chávez irá ao encontro que reunirá chefes de Estado e de Governo da América Latina, de Portugal e da Espanha entre 29 e 31 de outubro.

Sobre esta nova cúpula, Maduro defendeu o avanço do "diálogo de idéias, de propostas" em um cenário onde "possamos seguir nos reconhecendo em dois mundos que têm capacidade para dialogar entre si".

Maduro disse que já acabou "o coro único, o pensamento único", que, segundo ele, se instalou nos anos 1990, e que agora há "múltiplas vozes", e aproveitou para defender um "socialismo democrático, o socialismo do século XXI", que Chávez faz na Venezuela.

O chanceler venezuelano destacou que o Governo propôs a criação do Banco do Sul, da TV do Sul e da união do Sul, o que constitui uma "visão adiantada do novo mundo que está surgindo".

"É preciso compartilhar experiências em primeiro lugar para poder localizar a médio prazo uma solução real", disse o ministro, que destacou que, na Venezuela e em "outros países irmãos", foi aplicada uma fórmula: "Desligarmos dos mecanismos financeiros e econômicos de dominação dos EUA sobre o continente".

"A América do Sul, a América Latina e o Caribe são um pólo de futuro, assim como Europa e Ásia", comentou, antes de ressaltar a importância de economias e países como Rússia, China, Irã e Índia.

Maduro disse que a Venezuela tinha todas as suas reservas internacionais em bancos de investimento nos EUA, mas há "dois ou três anos" Chávez mandou "transferir e proteger" estas reservas "em outros lugares do mundo".

O chanceler venezuelano destacou que assim que Chávez tomou esta decisão evitou que o país perdesse "US$ 40 bilhões".

Maduro também defendeu a criação de fundos de reserva de poupança e investimento, se declarou disposto a compartilhar algumas das fórmulas adotadas pela Venezuela e expressou a esperança do surgimento de "um conjunto de medidas compartilhadas para enfrentar a crise".

Segundo o ministro, a Cúpula Ibero-americana dará a oportunidade para "trocar critérios" sobre a crise e como enfrentá-la, mas também sobre o tema central do encontro, que é "jovens e desenvolvimento".

Os jovens e as mulheres "são as vítimas mais diretas das políticas dos últimos 50 anos", disse Maduro, que acrescentou que a Venezuela apresentará na cúpula as conquistas do país nas áreas de educação, saúde, desenvolvimento cultural e também o "papel político exercido pelos jovens venezuelanos".

"Vamos levar os dados concretos (...) e também os grandes desafios que existem em sociedades nas quais a violência ainda persiste", declarou o ministro, segundo o qual "a cultura da violência se impôs através do cinema e da televisão".

Destacou o combate às drogas como uma das maiores lutas e afirmou que a Venezuela é agora "uma área que se livrou do cultivo de drogas", totalmente liberta do processamento de drogas e que está em um "combate tremendo" contra o narcotráfico.

Neste campo, Maduro defendeu "compartilhar experiências" e articular os avanços nos países que lutam contra o narcotráfico, um mal que "ataca os jovens". EFE eb/wr/fal

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