Chanceler renuncia e abre crise para premiê da Austrália

Kevin Rudd deixa governo dizendo que não pode mais trabalhar com a primeira-ministra do país, Julia Gillard

iG São Paulo |

O chanceler da Austrália, Kevin Rudd, renunciou nesta quarta-feira, dizendo que não pode mais trabalhar com a primeira-ministra Julia Gillard e abrindo uma nova crise no governo. Julia substituiu Rudd da liderança do Partido Trabalhista em 2010, e desde então ambos mantêm uma disputa de poder que rachou o partido e fez com que a popularidade do governo despencasse.

"A simples verdade é que não posso continuar servindo como ministro de Relações Exteriores se não tenho o apoio da primeira-ministra", disse Rudd numa entrevista coletiva em Washington. "O único caminho honroso para mim é renunciar."

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AP
O chanceler australiano, Kevin Rudd, em foto de novembro de 2011

Vários ministros nos últimos dias vinham aconselhando Gillard a demitir Rudd devido à crescente animosidade entre ambos. Em resposta, Gillard emitiu um comunicado. "Estou frustrada pelo fato de as preocupações que o senhor Rudd expressou publicamente nunca terem sido abordadas pessoalmente comigo, e que ele tampouco tenha me contatado para discutir sua renúncia antes da sua decisão", escreveu.

Fontes partidárias disseram que, embora Rudd seja mais popular junto ao eleitorado, Julia tem mais apoio entre os trabalhistas, e por isso deve ser facilmente reconduzida à liderança partidária, numa votação que pode acontecer já na semana que vem.

Há poucas diferenças políticas entre os dois dirigentes, mas a disputa ameaça levar a uma eleição antecipada e à derrota da agenda econômica trabalhista - que inclui importantes leis sobre mineração e mudança climática.

Os partidários de Rudd acreditam que só ele seria capaz de conter a fuga do eleitorado na direção do líder oposicionista Tony Abbott e da sua coalizão conservadora, que tem uma sólida liderança nas pesquisas. Mas a ascensão de Rudd à liderança pode afastar do governo os parlamentares independentes, que dão ao minoritário governo trabalhista a sua maioria de apenas uma cadeira no Parlamento.

Analistas dizem que uma mudança na liderança causaria mudanças no governo, incluindo, potencialmente, nas pastas do Tesouro e Defesa, mas teria pouco impacto sobre as políticas públicas ou sobre o resultado da próxima eleição.

"Se Rudd fosse brigar pela liderança, acho que certamente nos encaminharíamos para uma eleição em 2012", disse à Reuters o analista político Norman Abjorensen, da Universidade Política Nacional Australiana. "Um governo Rudd seria muito diferente de um governo Gillard, e presumivelmente seria bastante efêmero.

Com Reuters

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