Plano é adiantar-se a um eventual reconhecimento internacional de um Estado palestino

O ministro de Assuntos Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, formulou um plano para a criação de um Estado palestino com fronteiras provisórias, que não incluiria a evacuação das colônias judias, informa neste domingo o jornal Haaretz . Fontes do Ministério de Assuntos Exteriores citadas pela publicação apontam que Lieberman pretende "paralisar a situação existente nos territórios ( palestinos ), realizando mudanças menores".

A iniciativa pretende adiantar-se a um eventual reconhecimento internacional do Estado palestino pelas fronteiras de 1967 e reduzir a pressão sobre Israel transferindo o controle das áreas palestinas que de fato já controlavam sem evacuar as colônias judias do território ocupado.

"Depois que o Estado palestino for estabelecido com fronteiras provisórias, será possível retomar as negociações diplomáticas e talvez alcançar acordos sobre a transferência adicional de território", acrescentaram as fontes da chancelaria israelense.

Lieberman já mostrou a iniciativa ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, embora ainda não tenha apresentado os mapas nos quais está projetado o Estado palestino com fronteiras provisórias. O traçado também inclui uma rede de estradas e caminhos que conectaria as áreas sob controle palestino. Conforme as fontes diplomáticas israelenses, o mapa "fornece uma contiguidade territorial que permitirá que um Estado palestino com fronteiras provisórias seja viável".

Pelo projeto de Lieberman, que corresponde à segunda fase do Mapa de Caminho - o plano de paz da comunidade internacional aprovado por israelenses e palestinos em 2003 -, não inclui a evacuação de colônias judias nem a transferência de território adicional à Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Traçado

O Estado provisório compreende principalmente as zonas A e B da Cisjordânia, as já definidas pelos Acordos de Oslo. As primeiras estão sob controle pleno da ANP, enquanto as segundas só da população civil, embora não da segurança.

Estas áreas representam 42% do território ocupado da Cisjordânia, às quais a iniciativa de Lieberman poderia somar algo mais, até alcançar 45% e 50%.  A formulação do relatório está prevista para ser finalizada nas próximas semanas, após o qual Lieberman estuda enviá-lo ao Departamento de Estado e ao Congresso americano.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, insistiu em repetidas ocasiões que não aceitará um Estado palestino com fronteiras provisórias.Desde setembro, o processo de paz no Oriente Médio está estagnado, principalmente pela recusa israelense de frear a construção nos assentamentos judaicos.

Diante da detenção brusca na negociação os palestinos buscam há meses o reconhecimento internacional para um Estado com as fronteiras prévias à guerra de 1967.

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