Chanceler israelense diz que não há solução rápida para conflito com palestinos

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, afirmou nesta quinta-feira que não acredita em uma solução rápida para o conflito entre israelenses e palestinos e disse que as pessoas terão que aprender a conviver com isso.

BBC Brasil |


Soldados de Israel observam movimentação perto de Esplanada das Mesquistas / AP

As declarações foram feitas em um momento em que o enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, está na região para se encontrar com líderes israelenses e palestinos.

Embora Lieberman não seja o líder dos negociadores israelenses, suas declarações mostram uma descrença com os esforços do governo dos EUA para tentar chegar a um acordo de paz amplo na região.

Mitchell se encontrou nesta quinta-feira com Lieberman e com o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak. Na sexta-feira, ele deve se reunir com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Acordo provisório

Pouco antes de se encontrar com Mitchell, Lieberman deu uma entrevista a uma rádio onde afirmou que as pessoas que acreditam que israelenses e palestinos possam chegar a um acordo "não entendem a realidade e estão semeando ilusões".

"Nós temos que ser realistas, nós não conseguiremos chegar a um acordo em temas centrais e emocionais, como Jerusalém e o direito de retorno (de refugiados palestinos)", disse o chanceler. "Eu serei bem claro, estes são conflitos que não foram completamente resolvidos e as pessoas aprenderam a conviver com isso".

Para Lieberman, as duas partes deveriam buscar um acordo provisório de longo prazo que "garanta a prosperidade e a estabilidade", deixando as questões mais difíceis para depois.

As declarações do chanceler coincidem com as propostas que constam em documentos do Ministério das Relações Exteriores de Israel que vazaram para a imprensa do país nesta quinta-feira.

Estes documentos, a que a BBC teve acesso, afirmam que "criar expectativas de que uma solução ampla para o conflito pode ser alcançada pode gerar desapontamento e frustração, que podem azedar nossas relações com a Europa e Estados Unidos e causar violência entre os palestinos".

O texto ainda defende a tentativa de se alcançar um "acordo interino, sem solucionar temas principais como Jerusalém, direito de retorno e fronteiras".

Comprometimento

Durante o encontro com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, o enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell, afirmou que o governo dos EUA está "determinado" e que irá "perseverar" na busca de uma solução.

"Nós reconhecemos as complexidades e dificuldades e, ainda assim, nós continuamos comprometidos e confiantes que um acordo de paz amplo no Oriente Médio será alcançado e nós continuaremos até que ele seja alcançado", disse Mitchell.

Barak, por sua vez, afirmou que o governo israelense "aprecia os esforços" dos Estados Unidos "para nos juntar com nossos vizinhos, os palestinos". "Eu pessoalmente penso que o tempo chegou para nos movermos de modo determinado para lançar um processo de paz", disse.

Negociações interrompidas

O governo do presidente americano, Barack Obama, está pressionando o governo de Israel para que ele congele as construções em assentamentos judaicos em territórios palestinos. Esta é a principal exigência dos palestinos para a retomada das negociações.

Israel, por sua vez, chegou a colocar um limite temporário para as construções na Cisjordânia, mas não admite fazer o mesmo com Jerusalém Oriental.

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