Jerusalém, 5 out (EFE) - A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, defendeu hoje o processo de paz com os palestinos de Annapolis e insistiu em que as negociações devem continuar, em seu primeiro discurso público desde que foi eleita chefe do partido Kadima. Os processos diplomáticos devem continuar, disse a ministra em discurso na sessão inaugural da primeira Conferência de Política Estratégica do Ministério de Exteriores israelense. Não deixem que datas circunstanciais e mudanças políticas interrompam processos responsáveis, pediu aos participantes, ao destacar a importância que têm para ela as negociações de paz iniciadas em novembro de 2007 na conferência de Annapolis (Estados Unidos). Na ocasião, as partes mostraram sua determinação de alcançar um acordo antes do fim do mandato do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em 20 de janeiro, prazo que parece inalcançável devido à iminente mudança de Governo em Israel.

Há menos de duas semanas, Livni recebeu a incumbência do presidente israelense, Shimon Peres, de formar um novo Governo em Israel, após a renúncia do ainda primeiro-ministro Ehud Olmert por suspeitas de corrupção.

O pronunciamento de hoje foi o primeiro comparecimento da ministra de Exteriores desde que, em 17 de setembro, foi escolhida chefe do partido Kadima.

Da sessão inaugural da conferência participou também o chefe da diplomacia palestina Riad al-Maliki, que lamentou que Israel não tenha cumprido suas obrigações no processo de Annapolis.

"Em Annapolis nos prometeram que, em 2008, teríamos um Estado independente e que haveria um acordo de paz entre Israel e os palestinos", disse.

"Acreditamos no que nos disseram, que este ano seria diferente, mas estamos em outubro e (os palestinos) estamos perdendo a esperança", declarou Maliki sobre o atraso nas negociações.

Segundo ele, a alternativa a um acordo é o que está ocorrendo em Gaza, onde o movimento islâmico Hamas obteve à força o controle da faixa.

"O Hamas se nega a negociar, e nós temos que mostrar às pessoas que agora o que devemos fazer é negociar", declarou.

Livni, que esteve à frente da equipe negociadora israelense no último ano, não entrou em detalhes sobre as queixas do colega palestino, e se limitou a expressar sua vontade de que as negociações continuem, "como acertado em Annapolis".

"Nada está estipulado até que tudo esteja estipulado", lembrou, sobre a fórmula sobre a qual trabalham as duas partes, e pediu a sua contraparte palestina que "as negociações prossigam entre nós, e não nas manchetes da imprensa".

Segundo o jornal israelense "Ha'aretz", o objetivo da conferência que começou hoje em Jerusalém, e que durará três dias, é fortalecer na sociedade a postura conciliadora do Ministério de Exteriores, frente à mais estrita da Inteligência Militar e dos outros corpos de segurança do Estado e do Ministério da Defesa. EFE elb/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.