Bruxelas, 15 jul (EFE) - O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, defendeu hoje a elaboração de um plano para que o mundo leve mais em conta o peso real e simbólico da União Européia (UE) em conflitos como o do Oriente Médio.

"Não se trata de ir contra Estados Unidos, Rússia ou China, trata-se de ocupar nosso espaço, porque o mundo pede", disse o chanceler francês em seu primeiro comparecimento na Comissão de Exteriores do Parlamento Europeu desde que a França assumiu a Presidência de turno do bloco.

Segundo Kouchner, a UE deve, para começar, "se fazer presente" no processo de paz entre israelenses e palestinos, "não só como mero doador".

Ele ainda afirmou que, quando o ocorrer a troca de Governo nos EUA, cujo presidente será escolhido no pleito geral de novembro, a UE deve ter "um plano concreto" para que Washington considere o "peso real e simbólico da Europa no mundo".

Kourchner defendeu a redação de outro Mapa de Caminho para aprofundar o diálogo com a Rússia, e apresentar "planos concretos" para o futuro acordo de associação na próxima reunião bilateral, que será realizada em setembro.

O ministro francês declarou que a Europa deve ainda "mudar seu estilo" no momento de dialogar com o grande vizinho do leste, "embora, às vezes, eles usem expressões chocantes" ou que não são agradáveis.

"Não devemos estar tão seguros de nós mesmos quando falamos com um país que ressurgiu como fez (a Rússia) e que, além disso, é nosso principal fornecedor de energia", destacou.

Além disso, defendeu que a UE deve se dirigir a Moscou antes de tomar determinadas decisões, e não se limitar a expô-las.

Por outro lado, Kouchner reafirmou o objetivo da Presidência francesa de tornar a defesa européia mais autônoma e com maior capacidade de dissuasão.

"Isto não supõe uma concorrência desleal ou uma linguagem maliciosa com relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que, por outro lado, deve ser 'europeizada'", na opinião do chefe da diplomacia francesa.

Ainda falando sobre o tema, ele lembrou que dos 39 países com tropas na missão aliada no Afeganistão, 21 são europeus.

Todos estes projetos para o semestre, disse Kouchner, devem ser aplicados, apesar das "dificuldades institucionais" geradas pelo "não" irlandês ao Tratado de Lisboa, que aumentava as competências do bloco em política externa e de defesa. EFE met/rb/db

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