Chanceler espanhol fala em marco de referência para diálogo no O.Médio

Ana Cárdenes. Ramala, 2 fev (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, afirmou hoje que um marco de referência é o elemento que pode possibilitar a retomada do processo de paz entre israelenses e palestinos.

EFE |

Em suas reuniões com líderes palestinos, Moratinos - que visita o Oriente Médio como representante da Presidência da União Europeia (UE), atualmente ocupada pela Espanha - disse em entrevista coletiva conjunta com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ter tido "a sensação de que o importante não é iniciar conversas, mas saber para onde segue o caminho para a paz".

Para o ministro espanhol, isso exige "uma forte preocupação com um marco de referência".

Abbas também insistiu na necessidade de definir termos de referência que guiem o processo de paz e reiterou sua exigência de que Israel interrompa a expansão dos assentamentos nos territórios ocupados para poder voltar à mesa de negociação.

Para o chefe da diplomacia espanhola, este é "um momento muito importante no processo de paz, no qual a UE quer desempenhar um papel mais importante para que palestinos e israelenses se envolvam e colaborem na criação de um clima que permita estabelecer termos de referência e reiniciar o diálogo".

Moratinos se reuniu hoje em Ramala com Abbas, com o primeiro-ministro da ANP, Salam Fayyad, e com o ministro de Assuntos Exteriores, Riad al-Maliki.

Assim como fez ontem em Jerusalém, o espanhol reiterou os esforços da UE para impulsionar o processo de paz e o apoio do bloco ao trabalho no mesmo sentido do enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

"A Espanha, na Presidência da UE, não vai retroceder em seu empenho" de impulsionar o retorno a um diálogo estagnado há já mais de um ano, afirmou o ministro.

Moratinos disse ter visto Abbas "muito ansioso para alcançar a paz" e afirmou que "todos estão prontos para falar e ter um diálogo, mas a questão é como fazer isso".

"A vontade da UE é não só encorajar os palestinos a fazê-lo", mas também "transmitir a eles a segurança de que (o diálogo) não somente vai começar, mas vai seguir adiante", explicou o ministro.

Antes de seguir para Ramala, Moratinos se encontrou em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que também demonstrou interesse em retomar as conversas com os palestinos o mais rápido possível.

Moratinos também participou de um painel da conferência IDC Herzliya, no norte de Tel Aviv, junto com o vice-primeiro-ministro e titular de Defesa da República Tcheca, Martin Bartak, intitulado "O Papel da Europa no Cenário Global e no Oriente Médio".

No encontro, o ministro espanhol reconheceu que Israel tem "um problema de imagem na UE", mas insistiu em que o bloco "é um aliado" e afirmou que "a sociedade israelense tem que fazer um esforço para explicar suas políticas".

"A situação no Oriente Médio produz uma imagem muito dura de Israel na região. Mas é uma responsabilidade comum (trocá-la), temos que fazer um trabalho melhor porque, no final, é em benefício de ambos", acrescentou. EFE aca-db/bba

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