QUITO - A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Isabel Salvador, admitiu nesta terça-feira que existe tensão nas relações com o Brasil, mas descartou qualificar a situação de má devido ao caso da construtora Odebrecht.

"As relações entre Equador e Brasil, tradicionalmente muito boas, estavam bem até há exatamente uma semana. Também não me atrevo a qualificá-las de más neste momento. No entanto, evidentemente existe uma tensão", disse Salvador ao jornal eletrônico "Ecuadorinmediato".

Para a ministra, o "grave" é que essa tensão aconteceu quando o governo equatoriano decidiu adotar ações "sobre a base de descumprimentos de uma empresa brasileira".

Ela se referiu desta forma ao que o Executivo equatoriano considera "descumprimentos" da construtora na construção da central hidrelétrica de San Francisco, o que causou a expulsão da empresa do país em setembro.

Segundo a chanceler, o Equador "não disse em nenhum momento que não vai pagar o empréstimo", mas pediu uma arbitragem a qual o resultado se submeterá e disse que ligará para o ministro Celso Amorim, "provavelmente hoje", para falar sobre a situação atual.

"As coisas parecem que foram se complicando, mas acho que o Equador está atuando nisto direito. Esperamos que o governo brasileiro possa enfocar corretamente o tema", destacou.

A chefe da diplomacia equatoriana reiterou que não é um assunto entre Estados, mas "um problema que tem a ver com irregularidades, descumprimentos" de empresas desse país.

Salvador lembrou que, ao pedir a arbitragem internacional, o Equador recorre a uma cláusula que consta no contrato do empréstimo, sobre o qual há algumas "dúvidas", disse, e destacou que o Governo administra o tema "com prudência".

"Evidentemente nossa relação com o Brasil deve ser preservada, não há um motivo profundo para que em nível de Estados estejamos nesta extrema tensão", indicou, após considerar que a convocação do embaixador brasileiro para consultas, na semana passada, foi uma medida "extrema".

A ministra assegurou que o país trabalhará para recuperar as "defasagens" vivenciadas no momento com o Brasil, mas insistiu em que em nenhum caso vai "sacrificar os interesses do Equador, sobretudo quando há indícios de irregularidades e ilegalidades de empresas privadas".

Por outra parte, qualificou de "mentiroso" o jornal "O Estado de S. Paulo", que nesta terça-feira publicou uma notícia sobre a suspensão, por parte do Governo brasileiro, de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de 24 aviões da Embraer.

O Equador não pediu empréstimos "a ninguém" para a aquisição dos aviões que serão pagos pelo Estado, disse a ministra, que destacou que a primeira parcela já foi paga "e as seguintes serão pagas conforme a entrega dos aviões".

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