Chanceler da Venezuela chega à Colômbia com "mensagem de amor"

Ao chegar ao aeroporto, Nicolás Maduro diz que presidente venezuelano encarregou-o de manifestar solidariedade

AFP |

O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou neste sábado a Bogotá para assistir à solenidade de posse do presidente Juan Manuel Santos, com "mensagem de amor e futuro" da parte do presidente Hugo Cháves. Ao chegar ao aeroporto militar de Bogotá, Maduro disse que o presidente venezuelano encarregou-o "de forma expressa de uma mensagem de amor e solidaridade, de futuro e esperança".

O aceno acontece em um momento em que a Colômbia, isolada no continente, enfrenta uma das piores crises diplomáticas com a Venezuela de sua história.

 Os países romperam relações, no mês passado, após o então presidente colombiano, Álvaro Uribe apresentou vídeos com supostas provas das ligações de Caracas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na sessão extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington.

Ao anunciar o rompimento das relações, o presidente Hugo Chaves afirmou: “não nos resta, por dignidade, mais que romper totalmente as relações com a Colômbia, com lágrimas no coração”.

No mesmo dia, Chaves pediu "alerta máximo" aos militares na fronteira com a Colômbia e disse que não aceitaria “nenhum tipo de agressão”, o que indicava a iminência de um possível conflito.

Menos de um mês depois, a posse de Juan Manuel Santos na presidência é aguardada como possibilidade de distensão na relação entre vizinhos.

Outro desafeto do ex-presidente, o presidente do Equador, Rafael Correa, também chegou neste sábado a Bogotá para acompanhar a cerimônia de posse. Foi a sua primeira visita desde que seu Governo rompeu relações com o país vizinho em março de 2008.

"Muita sorte, irmãos e irmãs colombianos, neste novo período de governo, contem sempre com nosso total apoio", declarou Correa após descer do avião que o levou de Quito para Bogotá.

O presidente equatoriano também rompeu as relações diplomáticas com a Colômbia em março de 2008 após um bombardeio colombiano sobre um acampamento das Farc em seu país sem o consentimento de seu Governo. O ataque deixou 26 mortos, entre eles o então número dois da guerrilha, 'Raúl Reyes'. No último ano, os dois países avançaram no restabelecimento dos laços.

Lula

Durante a visita à Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar 100% na possibilidade de que os governos da Venezuela e Colômbia reatem relações diplomáticas depois da posse de Santos.
Lula tem atuado como mediador da crise binacional. Antes de viajar a Bogotá, o presidente esteve em Caracas, onde conversou com Hugo Chávez sobre os canais para reaproximar os dois países.
Chávez disse que Lula tinha uma "missão" para levar a Bogotá e disse estar "muito otimista" em relação à solução da crise.

Para o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que está em Bogotá, a aproximação dos países é questão de tempo.

O chanceler Celso Amorim deve se reunir com a nova chanceler colombiana Maria Angela Holguín, na tentativa de articular soluções para a crise.

Além de Lula, outros 12 chefes de Estado latino-americanos assistirão à posse de Santos, ex-ministro de Defesa e herdeiro político de Uribe, que governou durante oito anos.

Com informações da BBC e da EFE.

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