Chanceler da Tunísia renuncia ao cargo

Kamel Morjane era considerado o candidato favorito dos EUA para suceder o presidente deposto Ben Ali

EFE |

O ministro de Exteriores tunisiano, Kamel Morjane, procedente do regime deposto de Zine el-Abidine Ben Ali, apresentou nesta quinta-feira sua renúncia "pelo interesse da Tunísia" e para apoiar a ação do governo de transição com o objetivo de que a "revolução" do país possa "conseguir suas aspirações", informou a agência oficial de notícias "TAP".

AP
Estudantes protestam contra governo interino da Tunísia na capital, Túnis
"Considerando o interesse da Tunísia e apoiando a ação do governo de união nacional para dirigir o país rumo a um futuro estável, decidi renunciar às minhas funções", afirmou Morjane à agência oficial.

Ele disse também que apresenta sua demissão com o objetivo de apoiar a ação do governo "para que a revolução popular vivida por nosso país produza seus frutos e realize as aspirações de liberdade, orgulho e dignidade de nosso povo".

Morjane, de 69 anos, formado em prestigiosas universidades americanas, entrou no governo do presidente deposto Zine el-Abidine Ben Ali em 2005 como ministro da Defesa, assumindo posteriormente a pasta de Relações Exteriores.

Nos últimos anos, ele era considerado na Tunísia como o candidato favorito do governo americano para suceder Ben Ali no poder.

Algumas fontes lhe atribuíram um papel-chave na queda do governante anterior, juntamente com o chefe do Estado-Maior do Exército do país, general Rachid Ammar. Após a fuga de Ben Ali para a Arábia Saudita, ele foi confirmado no cargo pelo primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, no governo de transição.

Dos ministros do regime político anterior com postos importantes no atual Executivo, ele era um dos menos criticados pelas manifestações populares.

A renúncia de Morjane ocorre quando, nesta quinta-feira, aguarda-se o anúncio de um novo governo de transição, do qual devem se ausentar todos os ministros do gabinete anterior em postos considerados de soberania, exceto Ghannouchi, segundo a última proposta do presidente interino do país, Fouad Mebazaa, à qual a Agência Efe teve acesso.

Milhares de manifestantes fizeram novos protestos nesta quinta-feira na capital e em outras regiões do país para reivindicar a saída de todos os ministros de Ben Ali que permaneceram no atual gabinete.

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