Chanceler da Colômbia diz que ninguém terá HDs de ex-porta-voz das Farc

Quito, 7 mar (EFE).- O chanceler da Colômbia, Jaime Bermúdez, disse acreditar que nenhum país, com exceção do seu, poderá ter os discos rígidos (HDs) dos computadores que seriam do ex-porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes.

EFE |

Os HDs foram supostamente resgatados de um bombardeio em 2008.

Em declarações ao correspondente do jornal equatoriano "El Comercio" em Bogotá, Bermúdez preferiu não entrar em detalhes ao ser questionado sobre por que a Colômbia não cumpriu sua oferta de entregar informações ao Equador sobre o ataque a um acampamento das Farc e os HDs dos supostos computadores de "Reyes".

"Não vou entrar em detalhes nessa discussão, porque isso é o que viemos discutindo na Comissão de Assuntos Sensíveis. Certamente nossa consideração (sobre este tema) é distinta", disse.

"A informação sobre os computadores, na qual aparecem menções a países, foi entregue a cada um desses países. O fizemos com muitos países do mundo e também o fizemos com o Equador", ressaltou o chanceler colombiano.

O jornal lembrou que o presidente do Equador, Rafael Correa, pede que sejam entregues a seu país os HDs dos computadores supostamente resgatados em território equatoriano durante o bombardeio colombiano ocorrido em 1º de março de 2008 na região de Angostura, onde as Farc tinham instalado um acampamento.

Segundo Bermúdez, esses HDs permanecem em poder da Colômbia e outras nações não terão acesso a eles.

"Seguramente, nenhum país vai tê-los. Isso é uma prova que está nos expedientes da Justiça colombiana", afirmou.

Além disso, Bermúdez ratificou que a Colômbia não reconhece "jurisdição extraterritorial de juiz algum contra funcionários da Colômbia por um ato de Estado".

Neste mês, o juiz equatoriano encarregado do caso que investiga o bombardeio em Angostura se absteve de continuar com o processo e decidiu suspender os casos contra o ex-ministro da Defesa colombiano Juan Manuel Santos e outras autoridades militares do país.

"Apesar disso (a suspensão) ser um avanço importante, para nós é fundamental ter segurança que não vai existir um reativação deste caso ou um novo nesta mesma matéria", disse Bermúdez.

Em 1º de março de 2008, a Colômbia bombardeou, sem aviso nem permissão do Equador, a região de Angostura, na Amazônia equatoriana, em uma operação na qual morreram pelo menos 26 pessoas, entre elas "Raúl Reyes".

Correa considerou a atitude da Colômbia como uma violação territorial e, em 3 de março de 2008, rompeu relações diplomáticas com Bogotá.

Em setembro passado, em Nova York, o então chanceler equatoriano, Fander Falconí, e Bermúdez traçaram um mapa de caminho para recompor as relações. Em novembro, os dois países designaram seus encarregados de negócios.

Quito e Bogotá estão à espera da instalação da Comissão de Assuntos Sensíveis para tratar dos problemas mais difíceis, que incluem pedidos de Equador e Colômbia para acabar com as dúvidas relativas ao ataque.

O Equador quer informações sobre o ataque e uma maior presença militar colombiana do outro lado de sua fronteira, onde operam os guerrilheiros. A Colômbia quer que a Justiça equatoriana enterre os processos por assassinato, cujos acusados são as autoridades que dirigiram a operação. EFE sm/bba

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