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HAVANA (Reuters) - O chanceler boliviano, David Choquehuanca, fez nesta segunda-feira em uma previsão de que o referendo de autonomia promovido pela oposição boliviana no departamento de Santa Cruz terá abstenção superior a 50 por cento. O referendo, programado para o dia 4 de maio na rica região de Santa Cruz, é o maior desafio enfrentado até agora pelo governo esquerdista do presidente boliviano Evo Morales.

'Se eles não armarem nenhuma fraude, vai haver abstenção.

Possivelmente mais de 50 por cento de abstenção', disse Choquehuanca a jornalistas em Havana.

A oposição conservadora promove ainda, referendos de autonomia nas províncias de Beni, Pando e Tarija.

O governador de Santa Cruz, o líder de oposição Rúben Costas, falou neste fim de semana sobre o nascimento de uma 'nova república'.

Choquehuanca disse em Havana que ainda que a consulta ao povo seja 'legítima', o governo não irá consentir em sua aplicação prática.

'Nós, como Governo, não iremos aceitar a implementação de estatutos autonômicos. Para nós, é uma consulta', afirmou.

O chanceler acrescentou que os referendos promovidos por 'pequenos grupos' de latifundiários opostos ao 'processo de mudanças' impulsionado por Morales, e que eles serão boicotados por organizações civis, sindicatos e intelectuais.

Choquehuanca firmou na segunda-feira com o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, um convênio sobre a execução de sentenças penais e outro para combater o tráfico de patrimônio cultural.

Cuba é um dos principais aliados da Bolívia, para onde enviou 1.852 médicos e outros profissionais.

'Queremos reiterar nossa firme oposição, nosso repúdio às tentativas de dividir a Bolívia, de afetar a integridade territorial do Estado boliviano', disse Pérez Roque ao seu colega sul-americano.

Cuba vê a participação dos Estados Unidos por trás do referendos na Bolívia, que o chanceler da ilha descreveu como 'ingerências e conspirações externas'.

(Reportagem de Esteban Israel)

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