Chanceler boliviano minimiza convocação de embaixador americano

La Paz, 16 jun (EFE) - O Governo de Evo Morales qualificou hoje de normal que os Estados Unidos tenham convocado para consultas seu embaixador em La Paz, Philip Goldberg, e afirmou que a Bolívia cumpre a Convenção de Viena sobre a proteção a delegações diplomáticas. O ministro de Exteriores boliviano, David Choquehuanca, expressou essa posição em declarações feitas à rádio boliviana Erbol em Lima, aonde viajou para uma reunião da Comunidade Andina (CAN). A embaixada dos Estados Unidos é uma das que maior proteção tem na Bolívia. Nós cumprimos a Convenção de Viena, disse o ministro, que assegurou que a Polícia deu segurança a essa delegação perante a manifestação de 9 de junho.

EFE |

O chefe da diplomacia boliviana sustentou que convocar para consultas um embaixador é "normal" para tratar os temas de interesse bilateral e para contar com uma informação pessoal.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Gonzalo Gallegos, anunciou hoje em comunicado que Goldberg tinha sido chamado para conversas.

Ele acrescentou que os EUA estão preocupados com declarações de funcionários bolivianos que "fazem duvidar" do cumprimento da Convenção de Viena sobre proteção a sedes diplomáticas.

Em 9 de junho, milhares de pessoas da cidade de El Alto foram a La Paz para protestar às portas da embaixada dos EUA pelo asilo político concedido nesse país ao ex-ministro da Defesa Carlos Sánchez Berzaín, acusado de genocídio pelas mais de 60 mortes ocorridas em distúrbios durante outubro de 2003.

Os manifestantes tentaram ultrapassar a segurança da embaixada com explosivos, paus e pedras, mas foram repelidos com bombas de gás lacrimogêneo pelos agentes, o que causou a substituição do comandante da Polícia de La Paz, coronel Víctor Hugo Escóbar.

Choquehuanca justificou também hoje a ação dos manifestantes de El Alto, ao indicar que "reagiram" ao asilo concedido a Sánchez Berzaín, apesar do julgamento que tem na Bolívia.

No domingo passado, o presidente Evo Morales praticamente elogiou o protesto em discurso pronunciado em El Alto, e se mostrou "muito surpreso" pelo que descreveu como uma "grande mobilização do povo contra o império que protege os criminosos e esconde as pessoas que fizeram tanto dano à Bolívia".

Além do ex-ministro da Defesa, o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003) é acusado por genocídio pelo Governo da Bolívia, que tramita sua extradição dos EUA.

No entanto, a decisão de Washington de chamar para conversas seu embaixador foi acolhida com "muita preocupação" por diversos diplomatas de embaixadas da América e Europa consultados hoje pela Agência Efe, que qualificaram de "grave" a situação.

De fato, o protesto contra a sede americano em La Paz levou outras embaixadas a solicitar a seus países maiores medidas de segurança, confirmaram várias fontes diplomáticas.

Nesse protesto, os ativistas falaram inclusive de "queimar" a embaixada dos Estados Unidos em novas mobilizações.

No entanto, para a maioria de diplomatas consultados a ligação a consultas de Goldberg não foi uma surpresa pelas contínuas críticas do Governo Morales contra esse país e contra seu embaixador, ao qual o presidente boliviano chegou a acusar de espionagem e de conspiração, entre outros.

Os diplomatas também coincidiram em que a manifestação de 9 de junho contra a embaixada foi "a gota d'água" dos muitos incidentes entre ambos os países. EFE ja/db

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