Chanceler alemã vem à América Latina fortalecida após ataque de Chávez

Ingrid Haack Berlim, 13 mai (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, iniciou hoje sua primeira viagem pela América Latina, fortalecida politicamente dentro e fora da Alemanha após ignorar os ataques do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que a aproximou do nazismo.

EFE |

A viagem de Merkel por quatro países não inclui a Venezuela nem nenhum estado governado pela chamada esquerda populista, o que não impediu Chávez de atacar a chanceler.

Em seu programa de televisão "Alô, Presidente", Chávez disse que Merkel e seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão), pertencem à mesma direita que apoiou Hitler e o nazismo.

O presidente venezuelano reagiu assim a uma entrevista da chanceler alemã, onde ela comentou que o presidente venezuelano não é a voz nem representa os interesses da América Latina.

A saída de tom de Chávez serviu apenas para que Merkel, até agora pouco envolvida no processo político latino-americano, conseguisse todo o apoio político durante sua viagem ao Brasil, Peru, Colômbia e México.

Às vésperas da viagem, ficaram claras as diferenças de aproximação ao subcontinente existente entre os dois membros da coalizão, democrata-cristãos e social-democratas.

Ambos os grupos parlamentares aprovaram, na semana passada, os rumos das "estratégias para a América Latina", um plano sobre como acreditam que devem ser as relações com uma região a qual deram pouca atenção nos últimos dois anos.

Enquanto a CDU de Merkel quer uma relação diferenciada que distinga os Governos "conservadores e social-democratas" dos "populistas como Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua", os social-democratas deixaram claro que os novos Estados de esquerda na América Latina são "parceiros bem-vindos" do Partido Social-Democrata Alemão (SPD, na sigla em alemão).

O ministro de Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, defendeu inclusive uma reaproximação com Cuba e pediu que "não sejam minimizados os pequenos e cuidadosos passos dados em direção à abertura" por parte do Governo de Raúl Castro.

Os impropérios ditos por Chávez contra Merkel - toda comparação com o nazismo desencadeia na Alemanha automaticamente uma onda de solidariedade ao agredido - abranadaram todas as críticas à viagem de Merkel, com forte viés econômico.

No centro de muitas das conversas de Merkel, estarão os temas relacionados a energia e a proteção do meio ambiente, que também serão questões centrais da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), em Lima.

A viagem começará no Brasil, onde está prevista a assinatura de um acordo de cooperação energética, entre outros, no campo dos biocombustíveis.

Segundo indicou o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, o acordo visará introduzir critérios de sustentabilidade ao comércio com bioetanol.

A segunda parada será em Lima, onde Merkel participará nos dias 15 e 16 de maio na já citada cúpula América Latina-UE.

Na Colômbia, Merkel vai se encontrar, em 17 de maio, com o presidente daquele país Álvaro Uribe e, no dia seguinte, com representantes da sociedade civil.

A viagem terminará no México, onde, em 19 de maio, terá um encontro bilateral com o presidente Felipe Calderón antes de voltar a Berlim.

Durante os preparativos da viagem, tanto representantes da indústria alemã como dos partidos políticos destacaram a necessidade de a Alemanha dar mais importância à América Latina - mais do que nos últimos anos - se não quiser perder importância na região.

A presença de novos parceiros comerciais asiáticos, especialmente da China, preocupa alguns e faz com que muitos exponham a necessidade de uma nova ofensiva.

"A China descobriu a América Latina e nós temos que nos apressar se quisermos continuar sendo importantes", disse recentemente a própria Angela Merkel. EFE ih/rb/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG