México, 6 ago (EFE).- O deposto líder de Honduras, Manuel Zelaya, negou haver expressado seu apoio ao esquerdista Andrés Manuel López Obrador, que é considerado o presidente legítimo do México, informou hoje a Chancelaria mexicana.

O Ministério de Relações Exteriores mexicano afirmou, em comunicado, que Zelaya "conversou" na quarta-feira à noite com a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, "para reiterar seu agradecimento pela atenção recebida durante sua visita" de dois dias ao México.

"Zelaya também se referiu às declarações que lhe foram atribuídas pela imprensa de que teria dado respaldo ao ex-candidato presidencial, rejeitando essas declarações com contundência", assegurou o ministério.

Na quarta-feira, Zelaya foi homenageado por várias organizações sociais no Teatro Cidade do México, ato que reuniu cerca de 500 pessoas.

Em seu discurso, o governante hondurenho deposto citou uma frase de Víctor Raúl Haya de la Torre, fundador do Partido Aprista Peruano.

"Nestes países, há vezes que é melhor sentir-se presidente do que sê-lo, e isso digo a López Obrador, que está me escutando", disse Zelaya, perante os aplausos do auditório.

Nas últimas eleições presidenciais, realizadas em 2 de julho de 2006, López Obrador, do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), perdeu por uma diferença mínima, de 0,56 ponto percentual (cerca de 230 mil votos) para o atual líder mexicano, Felipe Calderón, do conservador Partido Ação Nacional (PAN).

Após a derrota, López Obrador bloqueou durante 47 dias vários quilômetros de uma das principais vias da capital mexicana, em ato de protesto por não reconhecer a eleição de Calderón, a quem chama de "ilegítimo".

A Chancelaria do México agradeceu Zelaya, que ontem deixou o território mexicano, pelo "esforço para esclarecer as afirmações, e lhe reiterou a disposição do Governo de Calderón para conseguir uma solução que permita o mais breve restabelecimento da democracia e da ordem constitucional em Honduras", conclui a nota. EFE jd/fk-an

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