Chancelaria defende a independência de Paris quanto à homenagem ao Dalai Lama

A cidade de Paris agiu de maneira independente ao declarar o líder espiritual tibetano Dalai Lama cidadão honorário e ela é a única responsável por esta medida, anunciou nesta terça-feira o ministério francês das Relações Exteriores.

AFP |

"Não nos corresponde interferir nas decisões que são adotadas pela cidade de Paris", declarou a porta-voz do ministério, Pascale Andreani.

Nesta terça-feira, a China manifestou 'grande descontentamento' com a decisão de Paris nomear o Dalai Lama "cidadão honorário", denunciando uma "grosseira interferência nos assuntos internos chineses, que atenta gravemente contra as relações franco-chinesas".

Os vereadores de Paris também receberam uma carta assinada pelo embaixador da China na França, pedindo que o Dalai Lama não fosse fosse homenageado com o título de "cidadão honorário" da cidade.

Um dos assessores do prefeito, Pierre Schapira, declarou que o embaixador advertia os vereadores em termos "extremamente violentos" e os responsabilizava por "piorar a situação do Tibete".

"Estou escandalizado com este ultimato. Nunca vi um embaixador exercer pressão sobre cargos eletivos dessa maneira", disse à AFP.

Além do Dalai Lama, o dissidente chinês Hu Jia, recentemente condenado a três anos e meio de prisão em seu país, também recebeu a mesma distinção.

A pedido do prefeito socialista Bertrand Delanoe, a maioria dos membros da câmara municipal votou favoravelmente à proposta de nomear o Dalai Lama "cidadão de honra", assim como Hu Jia, proposto pelo grupo dos verdes.

Inúmeros parlamentares decidiram não participar na votação, entre eles os membros do opositor UMP (conservadores), que em nível nacional é o partido do presidente Nicolas Sarkozy.

Sarkozy está tentando abrandar a ira da China após as manifestações e propostas de boicote contra interesses franceses desencadeadas pela tumultuada passagem da tocha olímpica por Paris.

Um dos gestos de Sarkozy foi uma carta com um pedido de desculpas dirigido a Jin Jing, a atleta chinesa deficiente física que conduziu a tocha e a protegeu dos manifestantes que tentaram arrancá-la durante sua passagem por Paris.

"Quero lhe dizer que fiquei impressionado com os ataques que você sofreu no dia 7 de abril em Paris e pela valentia que demonstrou. Sinto um profundo respeito em relação a você e ao seu povo", escreveu Sarkozy na carta, entregue nesta segunda-feira em Xangai nas mãos da própria Jin, de 27 anos, pelo presidente do Senado francês, Christian Poncelet.

Poncelet, em visita à China, revelou à imprensa o conteúdo da carta enviada a Jin, que a imprensa chinesa considerou uma heroína após o incidente em Paris.

Em sua carta, Sarkozy convidou a jovem de Xangai a visitar a França, afirmando que aqueles que estavam por trás destes "lamentáveis incidentes" não representam os sentimentos de amizade entre França e China.

O governo da China manifestou satisfação com a carta de apoio do presidente francês.

bur-frb/cn/fp

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