Chama olímpica faz escala em Macau, templo do jogo na China

A tocha dos Jogos Olímpicos foi acompanhada por milhares de pessoas neste sábado na capital chinesa do jogo, Macau, um dia depois de ter passado sem incidentes por Hong Kong, onde começou seu percurso pelo território chinês antes de chegar a Pequim.

AFP |

Em um dia ensolarado, a chama completou sem problemas os 27 quilômetros do revezamento pelas ruas da ex-colônia portuguesa, devolvida à China em 1999.

Milhares de pessoas vestidas de vermelho e levando bandeiras chinesas acompanharam a passagem da tocha pelos grandes cassinos de Macau, como o Venetian, o Wynn Macau e o Gran Lisboa, permitidos no pequeno território de 28 km2 no sul da China, que rivaliza com a cidade americana de Las Vegas.

Heinrich Caciano, um chinês de 22 anos da província de Guangdong que estuda Direito em Macau, foi um dos que assistiram ao revezamento de perto. "Quero que os estrangeiros saibam que o povo chinês apóia os Jogos Olímpicos", disse à AFP, vestido com uma camiseta onde se lia a inscrição "I love China".

Ao todo, 2.200 policiais foram mobilizados para patrulhar o percurso da tocha, cuja duração foi reduzida de sete para três horas. Cento e vinte pessoas participaram do revezamento.

Segundo a imprensa local, dois militantes defensores da democracia em Hong Kong foram expulsos de Macau nesta semana.

O multimilionário octagenário Stanley Ho, que durante quatro décadas até 2002 ostentava o título "o rei do jogo", por deter o monopólio das casas de apostas de Macau, foi um dos participantes do revezamento.

Os cassinos representam a principal indústria de Macau, de 450.000 habitantes, desde que a China reassumiu a soberania sobre a província.

Em 2007, os lucros dos cassinos chegaram a 10,4 bilhões de dólares, uma alta de 46% em um ano, aproximando-se dos ganhos de Las Vegas, que continua sendo a capital mundial do jogo.

A ex-colônia portuguesa conta atualmente com 29 cassinos, o que equivale a mais de 4.300 mesas de jogo.

Depois de passar por Macau, a tocha olímpica segue para a ilha meridional chinesa de Hainan.

A chama continua seu périplo no domingo, marcando o início de sua viagem pela China continental, que terá 113 etapas até a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, no dia 8 de agosto.

O percurso da tocha dos Jogos de Pequim - que já sofreu várias alterações desde o acendimento, na Grécia, devido a manifestações de defensores dos direitos humanos e da causa tibetana - é o mais longo da história das olimpíadas, com um total de 137.000 km pelos cinco continentes.

A passagem do símbolo olímpico por Londres foi conturbada, enquanto que em Paris o percurso transformou-se em um fiasco, com incidentes que chegaram a esfriar as relações diplomáticas entre França e China.

Pequim acusa o Dalai Lama, líder espiritual tibetano no exílio, de ter instigado as manifestações anti-China e os distúrbios mortais que começaram no dia 10 de março na capital do Tibete, Lhasa, antes de se espalhar por outras regiões.

Pressionado internacionalmente, o governo chinês propôs a retomada do diálogo com representantes do Dalai Lama. Dois emissários do líder espiritual viajaram neste sábado para a China com o objetivo de discutir a crise tibetana com autoridades do país.

gn/ap

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