Chade lamenta decisão do Sudão de romper relações diplomáticas

Ndjamena, 11 mai (EFE).- O Governo do Chade lamentou hoje a decisão do Sudão de romper as relações diplomáticas e negou qualquer envolvimento nos combates registrados nas últimas horas em Cartum, justificativa do Executivo sudanês para tomar a medida.

EFE |

"O Governo chadiano expressa sua surpresa com a decisão do Governo sudanês de romper as relações diplomáticas bilaterais", diz um comunicado oficial, no qual N'djamena chama o ocorrido de "decisão precipitada".

O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, anunciou hoje o rompimento das relações diplomáticas com o Chade, a quem responsabilizou pela ofensiva lançada ontem por um grupo rebelde em Cartum.

"O ataque chadiano contra Cartum foi totalmente abortado", afirmou Bashir, que acusou o presidente do Chade, Idriss Déby, de ter dado ordens para armar o grupo rebelde liderado por Khalil Ibrahim, a quem chamou de "agente do regime chadiano".

O Governo chadiano negou qualquer envolvimento com esses combates e também denunciou que tropas sudanesas teriam invadido ontem a representação diplomática do Chade em Cartum.

Segundo o comunicado oficial, "homens com uniforme militar sitiaram (...) os locais da Embaixada do Chade em Cartum para saquear o local, e levar documentos e material de informática".

O documento acrescenta que "o Governo do Chade pediu que as autoridades sudanesas e os países amigos respeitem as normas diplomáticas internacionais relacionadas à segurança dos diplomatas chadianos e de suas instalações".

O Chade e o Sudão trocam acusações há vários anos sobre o apoio aos movimentos rebeldes que atuam nos dois países.

Entre abril e junho de 2006, o Chade cancelou as relações diplomáticas com o Sudão, a quem acusou de estar por trás dos ataques a N'djamena e a outras regiões do país.

Em Adis-Abeba, a Comissão da União Africana (órgão executivo do bloco africano) condenou hoje em duros termos o ataques dos rebeldes em Cartum.

"O ataque só complicará os esforços realizados para conseguir uma solução política para a crise de Darfur e promover a paz, a estabilidade e a segurança da região", destacou um comunicado da Comissão da União Africana.

A União Africana também pediu que todas as forças políticas desistam do uso da força e recuperem seu compromisso de diálogo como único meio para acabar com o conflito.

Com o objetivo de acabar com as novas tensões surgidas, o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, planeja visitar o Sudão acompanhado do comissário para a Paz e Segurança, Ramtane Lamamra. EFE hc/wr/an

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