O Chade anunciou que foi atacado nesta terça-feira pelo Exército sudanês na fronteira entre ambos os países enquanto os insurgentes, que lançaram uma ofensiva contra as forças do presidente Idriss Deby Itno, avançavam rumo a Ndjamena.

"Como as colunas de mercenários enviados ao território chadiano fracassaram na tentativa de se estabelecer em pontos estratégicos, o Exército sudanês entrou em ação esta manhã (terça-feira) atacando o quartel do Exército em Adé com tropas apoiadas por helicópteros", afirmou o governo chadiano nesta terça-feira em um comunicado.

A AFP não conseguiu confirmar esse ataque com fontes independentes.

Enquanto isso, os insurgentes chadianos, que na semana passada lançaram uma ofensiva, anunciaram nesta terça-feira a tomada a cidade de Am Zoer (80 km a nordeste de Abeché), após "combates" nos quais capturaram o chefe da guarnição militar, "um oficial superior".

"Tomamos Am Zoer depois de violentos combates. Capturamos o chefe da guarnição. É um oficial superior e informaremos seu nome depois da identificação", disse Ali Guedei, porta-voz da Aliança Nacional, que reúne diversos grupos guerrilheiros, em uma entrevista por telefone de Ndjamena.

Abeché, a maior cidade do leste chadiano, é a principal guarnição do Exército regular.

Outro líder guerrilheiro, Abderaman Kulamalah, afirmou: "o governo está em Abeché e Ndjamena. Não há mais forças no país e nos deslocamos como queremos".

"A resistência de Deby não é tão forte quanto ele disse", acrescentou esse líder rebelde que participou da ofensiva rebelde de fevereiro, que chegou a Ndjamena e esteve a ponto de derrubar o governo.

Em um discurso transmitido pela TV, Idriss Deby, em sua primeiro pronunciamento público depois do ataque insurgente, disse que seu país tinha "direito a se questionar sobre a eficácia" e "a utilidade" da "presença no Chade" da Eufor (a força européia).

Deby também criticou o Sudão, que seu governo acusa de apoiar os ataques rebeldes. Os dois países, que mantêm relações conturbadas, se enfrentam por meio dos grupos insurgentes.

Em seu comunicado a respeito do ataque sudanês, o Chade considera que "ao envolver abertamente seu Exército e seu aparato aéreo, Cartum tira a máscara da agressão contra nosso país".

Segundo uma fonte militar francesa, o Exército do Chade não pode ser comparado ao do Sudão, uma das grandes potências da região.

O Sudão tem um exército mais equipado e poderoso, com mum apoio aéreo que o chadiano não possui.

O Chade tem apenas seis helicópteros de combate, um dos quais teve que realizar uma aterrissagem de emergência na quinta-feira passada, próximo do aeroporto de Abeché.

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