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Cessar-fogo unilateral do Governo não impede violência em Darfur

Cartum, 20 dez (EFE).- A violência assola a região de Darfur, no Sudão, apesar do cessar-fogo unilateral declarado pelo presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir, não acatado pelos rebeldes, e do futuro aumento das tropas da força mista da União Africana e da ONU (Unamid) no território.

EFE |

Em novembro, Bashir declarou unilateralmente um cessar-fogo em Darfur, que foi rejeitado pelo principal grupo rebelde, o Movimento pela Igualdade e Justiça (MIJ), que considerou essa decisão uma tentativa do presidente de tirar os holofotes do processo a que responde no Tribunal Penal Internacional (TPI).

Isso porque Bashir anunciou a medida enquanto os juízes do TPI estudavam a possibilidade de emitir uma ordem de detenção contra ele por sua atuação no conflito de Darfur, iniciado em 2003, em uma decisão ainda pendente.

Sob as acusações de genocídio, crimes de guerra e lesa-humanidade, o procurador-geral do TPI, Luis Moreno Ocampo, pediu em julho uma ordem de detenção contra o presidente sudanês, primeiro líder interino acusado por um tribunal de caráter permanente.

O pedido de Ocampo deu origem a uma onda de protestos entre os países árabes e o regime de Cartum, que rejeitou que o TPI tivesse competência legal para tomar a decisão, já que o Sudão não aceitou se incorporar à Corte.

Enquanto isso, a violência segue tirando vidas na região, com uma superfície de 500 mil quilômetros quadrados e onde 300 mil pessoas morreram desde o início do conflito devido à revolta de dois grupos armados contra o regime de Cartum pela situação de pobreza local.

Cinco anos depois, os confrontos armados entre os rebeldes, o Governo e as milícias pró-Governo aumentaram, e inclusive se estenderam a outras partes do país, além de ter cruzado a fronteira com o Chade, segundo relatório da ONU divulgado em novembro.

Prova disso é que, em maio, os rebeldes do MJI lançaram uma grande ofensiva contra a cidade de Omdurman, separada de Cartum pelo rio Nilo, e que deixou como saldo 255 insurgentes e 77 soldados dos órgãos de segurança mortos.

Tratou-se de um dos maiores ataques rebeldes contra a capital sudanesa nos últimos anos, reflexo da fragilidade da situação no país, assolado por guerras.

Na ocasião, o Sudão acusou o Chade de estar por trás da ofensiva e decidiu retirar os funcionários de sua embaixada do país vizinho, em uma crise que terminou apenas em novembro com nova troca de embaixadores entre as duas nações, após meses de negociações.

Enquanto isso, em mais uma tentativa de resolver a crise em Darfur, o Governo sudanês aceitou em outubro negociar com os grupos rebeldes sob mediação da Liga Árabe, que propôs conversas entre todas as partes em Doha, em uma data ainda não definida.

O desdobramento de uma força de paz da Unamid, que teve início em janeiro, também não conseguiu reduzir os índices de violência, devido à precariedade dos meios de que dispõe.

Dos 25 mil militares previstos inicialmente, só foram desdobrados até o momento 8.315 e 1.845 policiais devido ao reduzido número de países interessados em fornecer soldados e aos obstáculos impostos pelo Sudão à presença de efetivos não-africanos.

Essa precariedade o Governo sudanês, a ONU e a UA decidiram amenizar com o desdobramento, ainda em dezembro, de 60% dos 25 mil soldados previstos e de 80% antes de março de 2009.

O conflito de Darfur segue aberto, assim como o do sul do Sudão, onde ainda é incerto o futuro dos acordos de paz que colocaram fim, em 2005, a 21 anos de guerra entre o Governo e os insurgentes do Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).

Segundo a ONU, a aplicação do processo de paz está atrasada, apesar da melhora da cooperação entre as partes, após o confronto armado de maio na rica cidade petrolífera de Ebey, situada na fronteira entre o norte e o sul.

Esses combates causaram a suspensão do diálogo para a normalização das relações entre Estados Unidos e Sudão, que mantêm tensas relações devido às sanções impostas por Washington a Cartum, pela crise de Darfur e pela inclusão do Sudão na lista da Casa Branca de regimes patrocinadores do terrorismo. EFE az/db

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