O grupo palestino Hamas disse que lutará até que Israel atenda suas exigências para um cessar-fogo. O porta-voz do grupo, Fawzi Barhoum, disse que uma trégua unilateral não significa o fim da agressão e do cerco israelense, que são atos de guerra e, portanto, não colocarão fim à resistência palestina.

A avaliação de Israel é que o Hamas está numa posição enfraquecida. Se aceitar o cessar-fogo, admitirá a derrota.

Se, por outro lado, não cessar os ataques quando Israel o fizer, provocará retaliação por parte do exército israelense.

Se isto acontecer, Israel acredita que já terá angariado prestígio internacional suficiente por ter declarado que está pronto a interromper a ofensiva.

'Pegar ou largar'
O Hamas tem repetido incansavelmente suas condições para um cessar-fogo. O grupo exige a retirada das forças israelenses em uma semana e a reabertura das fronteiras de Gaza.

Mas Israel diz ao Hamas que é "pegar ou largar". A questão agora é se o Hamas decidirá curar as feridas e se reagrupar, ou se aposta em arrastar Israel para uma guerra de atritos.

Ao dizer que cessará sua ofensiva agora, Israel acredita que suas relações com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, começam com o pé direito quando ele assumir o cargo na terça-feira.

E se não voltar a atacar espera atrair o apoio do novo presidente.

No discurso televisivo em que anunciou o fim da ofensiva, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que as bases do Hamas haviam sido muito prejudicadas.

Em termos militares e de infra-estrutura de governo, fábricas de foguetes e dezenas de túneis para contrabando foram destruídos, seus líderes estavam escondidos e muitos de seus militantes mortos.

Dor e morte
Olmert listou uma série de pontos considerados por ele como "sucessos". A lista incluía o desempenho, o nível de treinamento e equipamento de reservistas e a habilidade dos líderes de tomar decisões.

Não por coincidência, a lista incluía todos os pontos que os israelenses acreditam ter dado errado na guerra do Líbano em 2006, declarada logo depois que Olmert assumiu o cargo.

O revés de 2006 feriu em cheio sua reputação. Mas após o discurso de sábado, o premiê se sentiu redimido como líder.

Israel diz que suas tropas podem interrromper a ofensiva porque acreditam ter destruído o braço militar do Hamas e enviado uma mensagem a todos os inimigos do país que devem temer o que o Exército israelense pode fazer contra eles.

Mas a que custo? Pelo menos 1.600 desabrigados estavam refugiados em uma escola da ONU em Gaza atingida em cheio por mísseis israelenses na manhã de sábado. Dois irmãos, de 5 e 7 anos, foram mortos.

John Ging, coordenador da agência de ajuda da ONU aos refugiados palestinos estava lá logo após o ataque e pediu uma investigação sobre se Israel havia infringido leis de guerra internacionais. Ele disse que os dois meninos eram indiscutivelmente inocentes.

Depois de causar tanta dor e mortes, Israel ainda diz que os civis de Gaza não são seus inimigos. Isto é algo que a população do território palestino e outras milhões de pessoas em outras partes do mundo não acreditam.

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