César Nava é o novo presidente do PAN mexicano

Juan Ramón Peña. México, 8 ago (EFE).- O advogado César Nava, novo presidente do Partido da Ação Nacional (PAN) mexicano, passou os últimos anos de sua carreira política à sombra do presidente do México, Felipe Calderón, o que lhe valeu pontos a favor.

EFE |

Nava foi durante quase dois anos secretário pessoal de Calderón, após este chegar ao poder em 2006. Foi militante do PAN durante 21 anos e está na política ativa desde meados dos anos 90.

Junto com o falecido Juan Camilo Mouriño (que foi secretário de Governo), era considerado o homem de confiança do presidente.

Nos dias anteriores à posse de Calderón em 2006, Nava foi um dos máximos defensores do presidente eleito perante as acusações de fraude da esquerda e de seu candidato Andrés Manuel López Obrador.

O hoje presidente do PAN acusava então López Obrador de violar suas próprias leis quando o esquerdista, ex-prefeito da Cidade do México, bloqueou com acampamentos de seus partidários o Partido da Reforma.

Nava sempre aparecia ao lado do presidente Calderón, que viveu meses difíceis até que obteve a faixa presidencial no dia 1º de dezembro de 2006 no Palácio Legislativo de San Lázaro.

Calderón tinha depositado nele sua confiança e assim o confirmou após sua tomada do poder, nomeando-o seu secretário pessoal na residência oficial da Presidência mexicana, Los Pinos.

A postura moderada de Nava e seu discurso cheio de firmeza e ao mesmo tempo de abertura lhe valeram ser considerado como uma das peças-mestras do novo Governo.

No entanto, as reservas que parte do partido mantinha contra Calderón - a quem a imprensa local associava com o entorno político do ex-presidente Vicente Fox, políticos mais veteranos - foram passadas também à figura de Nava.

Manuel Espino, ex-presidente do PAN (2005-2007) e Santiago Creel, senador do partido e ex-ministro do gabinete Fox que combateu Calderón pela candidatura presidencial de 2006, foram duas das vozes que mostraram abertamente sua rejeição à candidatura de Nava.

O desgaste sofrido por Calderón e seu Governo durante os dois primeiros anos de seu mandato, por causa da crise econômica e da exagerada violência do narcotráfico, propiciou nos últimos anos o auge do rival Partido Revolucionário Institucional (PRI).

Em novembro de 2008, Calderón decidiu indicar Nava e este se candidatou mais tarde a deputado federal por um dos 16 distritos da capital mexicana, reduto da esquerda, nas eleições legislativas de 5 de julho.

Nava obteve efetivamente a cadeira, mas depois, e após o desastre eleitoral que representou o pleito para o PAN, chegou a renúncia de Germán Martínez, presidente do partido.

Isso levou Nava a concorrer como candidato, o que o setor crítico a Calderón viu como uma imposição deste para controlar a legenda.

As vozes contrárias foram políticos como Creel e Espino, que estão mais próximos da órbita de Fox e do setor mais veterano do partido.

No entanto, as diversas candidaturas que este grupo poderia usar para enfrentar Nava, que foi o único candidato registrado, não prosperaram.

Horas antes de ser eleito, Nava expressou seu desejo de criar uma comissão para analisar os resultados negativos das eleições de julho.

O novo presidente do PAN permanecerá no cargo até 2010, já que seu trabalho será terminar o mandato não finalizado por Germán Martínez, para tentar recuperar a confiança dos eleitores perdida pelo PAN. EFE jrp/ma

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