Cerimônia no Estádio Nacional dá início aos Jogos Olímpicos de Pequim

Redação Central, 8 ago (EFE). - Os Jogos Olímpicos foram abertos hoje no Estádio Nacional de Pequim, conhecido como Ninho de Pássaro, com uma cerimônia grandiosa, que durou cerca de quatro horas.

EFE |

O evento contou com a presença de diversos chefes de Estado e Governo, após sete anos de preparativos tumultuados por protestos contra o regime comunista, convocações de boicotes e medos de atentados.

Já a viagem de 137 mil quilômetros da tocha olímpica foi encerrada em grande estilo, com o ex-ginasta chinês Li Ning sendo suspenso no ar para acender a pira.

O ponto de partida da cerimônia foi a entrada da bandeira da China. Em seguida, foi aberto um grande pergaminho, sobre o qual cerca de 15 mil atores, estudantes e militares fizeram uma performance que tinha como objetivo contar a história do país.

A apresentação mostrou ao mundo elementos da cultura milenar chinesa e da China moderna. Também foram feitas referências à rota da seda.

Um dos pontos altos deste segmento foi a formação feita por artistas com roupas iluminadas, que simulava a estrutura do Estádio Nacional.

Na seqüência, foi a vez da representação do tai chi chuan, arte marcial de estilo suave praticada em vários países.

Antes da entrada dos atletas, o público de cerca de 100 mil pessoas no Ninho de Pássaro assistiu à apresentação do chinês Liu Huan, ídolo pop que conseguiu ser número um em vendas por dez semanas consecutivas no país, e pela cantora britânica Sarah Brightman.

Como reza a tradição dos Jogos Olímpicos, a delegação grega foi a primeira a entrar no desfile da cerimônia de abertura do evento em Pequim.

Já a entrada dos brasileiros foi liderada pelo regatista Robert Scheidt, escolhido como porta-bandeira pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O saltador Jadel Gregório era o mais animado, enquanto Maureen Maggi, do atletismo, e o líbero Serginho, do vôlei, aproveitavam para filmar e tirar fotos.

Durante a passagem da delegação, os atletas saudaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava na primeira fila do setor reservado às autoridades.

O grupo, no entanto, não estava completo, já que parte dos 277 atletas do país optou por descansar, visando as competições deste sábado.

Entre os outros governantes no Estádio Nacional, destaque para o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o dos Estados Unidos, George W. Bush, que chegaram a pôr em dúvida suas presenças. Outro que compareceu foi o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, que lamentou que o conflito com a Geórgia "coincida com os Jogos Olímpicos".

Apesar de a idéia de um boicote ter sido esquecida, a cerimônia não contou com a presença do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e da chanceler alemã, Angela Merkel.

No desfile, delegações pequenas como Timor Leste, Guiana, Santa Lúcia e Togo, contrastavam com o grande contingente apresentado por EUA e Rússia.

O tenista suíço Roger Federer foi um dos mais aplaudidos pelos chineses presentes ao Estádio Nacional. O ainda número um do Ranking de Entradas da ATP entrou como porta-bandeira de seu país.

Iraque, Palestina, Espanha, Cuba, Rússia, Reino Unido, as duas Coréias e o Paquistão foram as delegações que receberam mais aplausos do público chinês.

Por outro lado, o Japão, rival histórico, e a França, pelas críticas à política de direitos humanos chinesa, foram recebidos com frieza.

O desfile originalmente contaria com 205 delegações, mas a de Brunei foi excluída horas antes do evento. Segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI), os dois atletas bruneianos não foram inscritos dentro do prazo estipulado, que expirou às 12h desta sexta em Pequim (1h no Brasil).

Após a passagem dos países, foi a vez dos discursos do presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog, em inglês), Liu Qi, e do belga Jacques Rogge, que comanda o COI.

O chinês deu as boas-vindas aos atletas e lembrou o esforço do COI e da comunidade internacional no apoio ao país após os terremotos na provícia de Sichuan.

Por sua vez, Rogge também falou sobre o "sofrimento do povo da China" na tragédia recente.

"Com um mundo unido, nós sofremos por vocês pelo grave terremoto em Sichuan", afirmou.

Além disso, o dirigente deixou clara sua preocupação com a questão do doping nos Jogos.

"Atletas, os Jogos foram criados para vocês e são seus.

Lembrem-se que vocês são exemplos para as crianças no mundo.

Façam-nas orgulhosas e rejeitem o doping", completou.

Na seqüência, o presidente chinês, Hu Jintao, declarou abertos os Jogos Olímpicos. Depois, houve o hasteamento da bandeira olímpica, que foi carregada por oito ex-atletas da China.

Já o juramento foi comandado pela atleta chinesa Zhang Yining e pelo árbitro de ginástica Huang Liping.

O revezamento da tocha olímpica foi outro dos pontos altos do evento, com oito ex-atletas do país-sede dos Jogos percorrendo a pista do Estádio Nacional.

Na seqüência, o ex-ginasta Li Ning recebeu a tocha, foi erguido por um cabo e caminhou, suspenso, por alguns minutos, enquanto um painel simulava a abertura de um pergaminho ao seu lado.

O ganhador de três medalhas de ouro nos Jogos de Los Angeles, em 1984, acendeu a pira olímpica através de um longo pavio e deu início a uma grande queima de fogos.

O diretor da organização da cerimônia, Wang Ning, havia prometido "uma festa visual e auditiva maravilhosa" e os quase 12 mil fogos de artifício criaram uma imagem impressionante no encerramento da festa. EFE ev/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG