Cérebro pode não reconhecer expressões faciais em casos de esquizofrenia

Madri, 19 jun (EFE).- Nem sempre o cérebro é capaz de reconhecer as expressões de rostos, como já foi demonstrado em indivíduos autistas, é o que um estudo se propõe a provar agora em indivíduos que sofrem de esquizofrenia e transtorno de personalidade.

EFE |

A pesquisa está sendo realizada por uma equipe de cientistas dirigida pelo psicólogo Raúl Alelú no laboratório de José Manuel Giménez-Amaya, professor de Anatomia e Embriologia da Universidade Autônoma de Madri (UAM), junto com o doutor Valentín Cortés, do Hospital psiquiátrico Rodríguez Lafora, em Cantoblanco.

O objetivo da pesquisa é determinar se existe diferença na Teoria da Mente, que descreve a habilidade do ser humano de entender os estados mentais dos outros, entre pessoas com esquizofrenia e transtornos de personalidade.

Outro objetivo é tentar provar se existe algum componente genético nas pessoas que sofrem este tipo de doença, conforme explicaram à Agência Efe os responsáveis pelo estudo.

Está prevista a participação nas pesquisa de 80 pessoas, 60 doentes - 30 com esquizofrenia e outros com transtorno de personalidade, e 20 parentes de primeiro grau (pais, filhos e irmãos daqueles).

As pessoas escolhidas para a pesquisa têm entre 18 e 65 anos, tanto homens como mulheres, e de nível sócio-educativo similar, para dar maior validade na análise dos dados, segundo os especialistas.

O doutor José Manuel Giménez-Amaya, membro da equipe de cientistas, explicou à Efe que existem evidências científicas de que as pessoas com plenas faculdades mentais têm certa habilidade para interpretar mensagens a partir de expressões do rosto.

Isto é possível graças a um mecanismo cerebral pelo qual se ativa a parte inferior do lóbulo temporal ao observar o rosto.

Essa região do cérebro, mais ativada no reconhecimento dos rostos e que está associada a uma maior quantidade de receptores opiáceos que se relacionam com o prazer e a dependência, poderia favorecer processos de "ancoragem" emocional.

Para Giménez-Amaya, os rostos estão especialmente associados à "vida emocional" das pessoas, e ficou demonstrado que pacientes com desordens emocionais, como os autistas ou com outros problemas, como hemorragias cerebrais, não têm a habilidade para reconhecer rostos.

O cientista Raúl Alelú explicou que o que pôde ser observado na Teoria da Mente entre os autistas está sendo pesquisado também em quem sofre de esquizofrenia, um mal que atinge 400 mil pessoas na Espanha, e em outro grupo com transtorno de personalidade.

Para realizar o experimento, serão mostradas ao grupo de voluntários um conjunto de imagens compostas de quatro rostos de quadros do pintor Velázquez e cinco fotografias de Arnold Newman.

Assim, espera-se conhecer o grau de domínio cognitivo dos doentes e se este sofre alguma alteração ao longo do tempo, concluiu Alelú.

EFE aqr/rb/rr

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