O cérebro dos homens tem até 30% de conexões entre neurônios a mais, o que não significa necessariamente que eles sejam mais inteligentes do que as mulheres, mas que processam de forma diferente a informação, segundo o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha.

Uma equipe de cientistas deste organismo detectou diferenças entre homens e mulheres em uma área do cérebro relacionada com os processos sociais e emocionais e a capacidade humana de atribuir intenções a outras pessoas, o neocórtex temporal.

Os cientistas observaram que, nesta parte do cérebro, os homens apresentam até 30% mais de conexões sinápticas (as sinapses são junções microscópicas altamente especializadas que enviam sinais de um neurônio para outro). As observações destes pesquisadores são as primeiras a revelar diferenças entre gêneros em nível sináptico, mas muitos estudos anteriores examinaram outras variações (tamanho dos cérebros, número de neurônios) entre os cérebros do homem e da mulher.

Segundo os autores do estudo, Lidia Alonso-Nanclares, Juncal González-Soriano, José Rodrigo Rodriguez e Javier De Felipe, os cérebros do homem e da mulher difeririam quanto ao processamento da informação.

No entanto, na pesquisa, publicada na última edição da revista "PNAS", é encorajada a continuação das investigações sobre as conexões sinápticas do cérebro (de estrutura heterogênea), já que só se analisou uma região do mesmo (a parte anterior do lóbulo temporal).

O pesquisador Javier De Felipe, do Instituto Cajal, que pertence ao CSIC, assegurou que a descoberta não implica em que um gênero seja mais inteligente do que outro, mas somente que na região do cérebro pesquisada "as conexões sinápticas são diferentes".

"As observações revelaram uma menor densidade das conexões sinápticas nas amostras de mulheres em relação às dos homens", segundo o especialista, para quem os dados obtidos não podem ser aplicados a todo o cérebro. "Seria muito interessante obter informação de outras áreas do córtex para interpretar melhor os resultados", acrescentou.

De fato, opina o cientista, "é provável que o homem tenha uma menor densidade de sinapses do que as mulheres em outras regiões do córtex".

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