Cerco em Mumbai aproxima-se do fim; Paquistão promete ajuda

Por Rina Chandran MUMBAI (Reuters) - O chefe de espionagem do Paquistão aceitou colaborar com a Índia na investigação dos ataques desta semana em Mumbai, onde na sexta-feira, após mais tiroteios e mortes, vai chegando ao final a ocupação de dois hotéis de luxo e um centro judaico.

Reuters |

A Índia voltou a acusar "elementos" ligados ao Paquistão pelos ataques coordenados de quarta-feira no principal centro financeiro do país. Segundo a polícia, pelo menos 121 pessoas morreram desde então.

Numa escalada verbal que prenuncia uma piora nas relações entre os dois rivais nucleares, o chanceler da Índia, Pranab Mukherjee, exigiu que o Paquistão desmantele a suposta infra-estrutura de apoio a militantes.

Seu homólogo Shah Mehmood Qureshi reagiu pedindo que a Índia não use os ataques de Mumbai com fins políticos.

"Não politizem a questão. Trata-se de uma questão coletiva. Estamos enfrentando um inimigo comum, e devemos dar as mãos para derrotar o inimigo", disse ele a jornalistas durante visita à cidade indiana de Ajmer.

Mas, numa iniciativa que talvez reflita uma postura conciliadora do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, Islamabad aceitou enviar o chefe do ISI (serviço de inteligência militar) à Índia para compartilhar informações.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, solicitou a visita do general Ahmed Shujaa Pasha quando recebeu um telefonema de solidariedade da liderança paquistanesa, segundo seu porta-voz, que confirmou a notícia divulgada inicialmente por canais de TV.

R.R. Patil, secretário do Interior do Estado indiano de Maharashtra, onde fica Mumbai, disse a jornalistas que um militante preso durante a ação é cidadão paquistanês. Os ataques foram reivindicados pelo quase desconhecido grupo islâmico indiano Mujahideen Decani.

Na sexta-feira, cerca de 36 horas depois do início do ataque, soldados recuperaram o controle do hotel Trident-Oberoi. O chefe de polícia da cidade, Hassan Ghafoor, disse que 24 corpos foram encontrados no interior.

Ainda há tiroteios contra militantes entrincheirados em outro hotel, o Taj Mahal, e num centro judaico onde há pelo menos seis reféns estrangeiros.

"O hotel Oberoi-Trident está agora sob nosso controle", disse o chefe da Guarda Nacional de Segurança, J.K. Dutt. "O Oberoi-Trident foi desocupado, e matamos dois terroristas."

Após uma manhã de tiros e explosões, o comandante de um dos esquadrões envolvidos na operação do Taj Mahal disse que no total foram encontrados 50 corpos, sendo 12 a 15 num só quarto.

Os militares encontraram dinheiro, munição e uma carteira de identidade das ilhas Maurício, segundo informação passada em entrevista coletiva pelo comandante da operação, que tinha o rosto coberto por um lenço preto e óculos escuros.

Um outro oficial disse que pelo menos um militante continua dentro do Taj Mahal, com dois reféns. O general N. Thamburaj declarou a jornalistas, porém, que a operação deve ser concluída dentro de poucas horas.

(Reportagem de Nova Délhi e redação de Mumbai)

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