Cerca de 500 mil fugiram de Porto Príncipe após tremor, diz ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou nesta terça-feira que cerca de 500 mil pessoas fugiram da capital do Haiti, Porto Príncipe, depois do terremoto que atingiu o país no dia 12 de janeiro. Além de devastar boa parte da capital haitiana, o tremor também deixou centenas de prédios instáveis, que ainda podem desabar, e interrompeu o fornecimento de água.

BBC Brasil |

A cidade sofre também com a falta de alimentos.

A organização afirma que a maioria das pessoas que fugiu de Porto Príncipe está buscando abrigo na casa de outras famílias haitianas em vez de ir para os acampamentos montados pelo governo e agências de ajuda.

A Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, liderada pelo Brasil), que já estava no Haiti antes do terremoto, e os militares americanos que chegaram logo depois do tremor estão tentando coordenar os esforços de ajuda.

Mas, de acordo com um repórter da BBC que esteve recentemente no Haiti, Mark Doyle, os procedimentos diferentes das duas equipes dificultam a tarefa. E as milhares de pequenas organizações humanitárias que também estão envolvidas nas operações no país aumentam ainda mais a confusão.

Governo fraco
Um relatório da ONU divulgado recentemente afirma que a principal dificuldade em alguns setores, como o planejamento dos acampamentos para desabrigados, por exemplo, é a falta de compartilhamento de informações.

Além disso, segundo o repórter da BBC, o governo haitiano já era considerado fraco antes do terremoto. O tremor piorou ainda mais a situação, já que o governo do país perdeu quase toda sua infraestrutura: prédios de ministérios, linhas telefônicas, energia elétrica.

Muitos funcionários importantes foram mortos e quase todos os membros importantes do governo entrevistados por Mark Doyle tinham perdido alguém da família.

E, nos primeiros dias após o terremoto, a própria ONU precisou resgatar seus funcionários. De acordo com a organização, o tremor matou 92 de seus funcionários no país e feriu outros 30. Sete ainda estão desaparecidos.

Os militares americanos então assumiram o controle de alguns setores como o aeroporto, e alguns funcionários de organizações de ajuda afirmaram que foi dada prioridade para a entrega de equipamento militar em vez de assistência humanitária.

Segundo Doyle, está claro que as questões que cercam a coordenação da ajuda precisarão ser resolvidas com urgência ou então mais pessoas vão morrer.

Entretanto, as questões delicadas são muitas. Os soldados americanos, por exemplo, não aceitam ordens de autoridades da ONU.

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