Cerca de 300 pessoas protestam no México contra ataque a cassino

Ataque, que deixou 52 mortos e incendiou cassino, desencadeou um "panelaço" contra a violência no país

iG São Paulo |

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Manifestantes pediram paz e mudanças no país em protesto na Cidade do México
Cerca de 300 pessoas fizeram uma manifestação nesta sexta-feira (26) em frente à estátua do Ángel de la Independencia, na Cidade do México, em apoio à cidade de Monterrey, onde um grupo armado incendiou um cassino , deixando pelo menos 52 mortos.

Na quinta-feira (25), um ataque a um cassino deixou 52 mortos em Monterrey, no norte do México. Homens teriam invadido o cassino Royale exigido, aos gritos, que todos saíssem do local. Eles espalharam gasolina no estabelecimento e, em seguida, atearam fogo.

Granadas e revólveres foram usados, mas o governo afirmou que muitas vítimas sofreram intoxicação provocada pela fumaça, após terem ficado presas dentro dos banheiros e salas do cassino onde tentaram se esconder dos autores do ataque.

Panelaço
A palavra "panelaço" circulou pelo Twitter no dia após o ataque, convocando os mexicanos a levarem panelas para fazer barulho contra a violência, em um ato que durou cerca de uma hora e meia.

Pelo megafone, manifestantes pediam que os mexicanos se organizassem e saíssem às ruas para demonstrar que estão fartos de tanta barbárie.

Nesta noite, quando o ativista Daniel Gershenson tomou a palavra para lembrar os 52 mortos no Casino Royale da capital do estado de Nuevo León, ele afirmou que era "um lugar onde muitas pessoas que estavam se divertindo viram uma realidade inconcebível".

Vários ativistas distribuiram cartazes nos quais se podia ler mensagens como: "Eu não pedi esta guerra", "E a guerra contra a impunidade, quando?" e "Já nos tiraram os sonhos, então despertemos".

Após as panelas e gritos, vieram as propostas. O megafone se abriu a todos os cidadãos que quiseram mostrar sua indignação e suas opiniões. Algumas delas, apesar de idealistas, manifestavam a solidariedade dos mexicanos: tomar as dores das vítimas desconhecidas, honrar os locais onde se cometeram crimes e reunir-se em pequenos grupos para fazer ações concretas.

Reuters
Durante protesto, manifestantes reclamaram da violência no México
"Sou um mexicano a mais e me dói o que estamos vivendo neste país. (O presidente Felipe) Calderón conduz uma estratégia errônea e não sei quanto mais temos de aguentar", expôs um jovem.

"Que os quase 50 mil mortos (pela violência nos últimos cinco anos) sirvam de algo, para mudar, tomara que isto seja o começo da mudança", declarou uma mulher.

Calderón foi várias vezes o alvo das críticas a ponto de muitos manifestantes gritarem pedindo sua renúncia. "Se ainda lhe resta uma gota de amor pelo México, deve renunciar", exigiu uma manifestante.

Os aglomerados fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas, antes de passar à leitura dos nomes dos mortos de Monterrey, seguidos do grito "não devia morrer".

Narcotráfico
Ainda que as circunstâncias do ataque não estejam claras, a imprensa mexicana associou o caso à guerra do narcotráfico, que já deixou ao menos 40 mil mortos nos últimos cinco anos, segundo a contagem da mídia local.

O massacre de Monterrey é um dos mais graves no país desde 2006. O número de vítimas, segundo autoridades, ainda pode subir.

(Com informações da EFE, AFP)

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