Cerca de 24.000 crianças e adultos de Ucrânia, Rússia e Belarus afetados pela catástrofe nuclear de Chernobyl em 1986 receberam tratamento médico em Cuba em 19 anos de aplicação de um programa gratuito, informou na quarta-feira o seu coordenador-geral, Julio Medina.

"O programa teve um impacto significativo sobre a saúde das crianças e das famílias" desses três países, pois "são 24.000 as pessoas que voltaram para as suas casas, em sua maioria, recuperadas", disse Medina em uma entrevista coletiva à imprensa no complexo de Tarará -hospital, escola e casas-, 20 km a leste de Havana.

Segundo Medina, também diretor do hospital, até esta data receberam tratamento médico em Tarará -antes de 1959 um exclusivo balneário residencial- 2.928 russos (deles 2.715 crianças); 730 bielorrusos (371) e 20.350 ucranianos (18.689). Rússia e Belarus deixaram o programa em 1992.

"Atendemos 332 pacientes com doenças onco-hematológicas", a maioria delas leucemias, e foram realizados "seis transplantes de médula óssea, dois de rins, 16 cirurgias cardiovasculares" e mais de "600 de reabilitação neurológica e ortopédica", acrescentou.

"Não há um programa humanitário que tenha durado tantos anos", acrescentou Medina, ao destacar que o primeiro grupo de 139 crianças com doenças graves procedentes de Chernobyl chegou a Cuba em março de 1990, há 19 anos.

A doutora Nadiezda Mijailovna, que dirige o programa pela parte ucraniana, assegurou que "todas as pessoas lá elogiam muito o programa", porque "os pacientes recebem uma atenção médica de alto nível e muitas crianças ficam totalmente curadas".

O complexo recebe anualmente entre 700 e 800 pessoas -atualmente atende 250-, em sua maioria crianças que sofrem de doenças como câncer de tireóide, diferentes tipos de leucemia, deformidades congênitas, afecções da pele, atrofia muscular ou trastornos neurológicos e psicológicos.

Muitas crianças, inclusive, nasceram vários anos depois do acidente de Chernobyl, considerado a maior catástrofe civil nuclear da história, ocorrida no dia 26 de abril de 1986.

Cuba garante aos enfermos alimentação, transporte, logística, assistência médica e medicamentos totalmente gratuitos, em um ambiente de sol e praia -que é vital para sua recuperação-, e a Ucrânia cobre os custos da viagem à ilha, segundo Medina.

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