Cepal prevê queda de até 45% nos investimentos na América Latina

A Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) informou, nesta quarta-feira, que os investimentos estrangeiros diretos (IED) devem registrar queda de entre 35% e 45%, na região, este ano. Os dados foram divulgados em um comunicado pela secretária-executiva do organismo, Alicia Bárcena, em Santiago, no Chile.

BBC Brasil |

Bárcena afirmou que vários itens, como o aumento no preço das commodites, registrado em 2008, não tiveram a mesma força neste ano devido aos efeitos da crise internacional.

"As condições econômicas que levaram ao IED recorde de 2008 não são mais as mesmas. Por isso, a expectativa é que o fluxo de IED para a região diminua entre 35% e 45% (frente ao ano anterior) ", afirmou Bárcena, segundo comunicado da Cepal.

Recorde
O comunicado diz que, devido "a incerteza em relação à duração e ao aprofundamento da crise, é difícil prever" o total de IED que poderá desembarcar na região.

"Apesar da expectativa de queda para 2009, ainda assim os recursos estariam acima da média registrada na região no período entre 2001-2006."
Ela lembrou que no ano passado a América Latina e Caribe receberam US$ 128,3 bilhões, um recorde histórico que superou em 13% os números de IED de 2007.

"Apesar deste dado (de 2008) ter demonstrado forte desaceleração no ritmo do fluxo de IED frente ao aumento de 53% de 2007, este resultado (de 2008) foi notável. Isto porque em 2008, em nível mundial, o fluxo de IED caiu 15%", disse.

Brasil
Segundo a Cepal, os altos preços dos produtos básicos e o crescimento de algumas economias em desenvolvimento da região explicam este aumento do IED no ano passado, apesar da crise internacional, que golpeou o mundo a partir do fim do segundo semestre.

A Cepal destacou ainda que a América do Sul recebeu 24% mais de IED em 2008 (US$ 89,8 bilhões).

No entanto, os fluxos destes recursos para o México e regiões do Caribe caíram 5% (US$ 38,4 bilhões).

Como já havia informado, na semana passada, a Unctad (Agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento), os investimentos estrangeiros diretos cresceram no Brasil 30% entre 2007 e 2008, apesar dos efeitos da crise.

A Cepal ressaltou que Brasil, Chile e Colômbia foram os principais "receptores da América do Sul", ao concentrarem 80% do IED.

"O Brasil se transformou no maior receptor de investimentos de toda a região com aumento de 30% em relação ao recorde alcançado em 2007", afirmou-se no comunicado da Cepal.

Segundo dados do Banco Central brasileiro, os investimentos externos diretos no Brasil já se assemelham neste ano aos observados antes do agravamento da crise global, em setembro do ano passado.

O IED de abril, US$ 3.409 bilhões, foi mais do que o dobro do registrado no mês de março, disse o Banco Central.

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